28º Domingo do Tempo Comum
Os textos deste Domingo põem em realce o sentimento de gratidão ou a falta dele.
Na primeira leitura, é-nos apresentado o sírio Naamã a ir ao encontro do profeta Eliseu para lhe agradecer a cura da lepra. Perante a recusa deste em aceitar qualquer presente, o militar pede uma carrada de terra ‘santa’ para com ela edificar um altar e, diante dele, continuar a mostrar a sua gratidão ao “Senhor, Deus de Israel”.
No evangelho, é o próprio Cristo que realça a atitude do samaritano leproso, o qual, curado juntamente com outros nove, é o único que volta atrás para manifestar a Jesus o seu reconhecimento pelo benefício recebido.
Com a pergunta “onde estão os outros nove?” somos também nós interpelados para avaliarmos em que medida temos reconhecido e agradecido os dons com os quais o Senhor constantemente nos cumula. E facilmente reconheceremos que está a fazer muita falta às nossas relações o lubrificante da gratidão. E se, na vida do dia a dia – em casa, na escola, no trabalho, na rua, no convívio – não somos delicados e reconhecidos uns para com os outros, também não o seremos para com Deus.
A verdadeira gratidão manifesta-se na medida em que se vai traduzindo em gratuidade, uma gratuidade, à semelhança da do nosso Deus, que nem a ingratidão consegue esmorecer ou apagar. Numa sociedade caracterizada pelo calculismo, pelo interesse, pela reivindicação de direitos, pouco espaço fica para a gratuidade. E a gratuidade é a atmosfera que torna respirável a existência humana. As diversas formas de voluntariado que por toda a parte se vão multiplicando são uma oportunidade ao alcance de todos para restituirmos à nossa vida o sabor da gratuidade.
Vidas verdadeiramente agradecidas são, pois, aquelas que, reconhecendo os constantes e contínuos dons com que Deus nos cumula, nos levam a viver em gratuidade, sem calcular os sorrisos que distribuímos, a delicadeza e atenção que a todos prestamos, sem regatear a disponibilidade para servirmos os outros e sem nos deixarmos enredar pelas ingratidões de que possamos ser vítimas.
Tal como nenhum obstáculo impede o rio de caminhar para o mar, também à pessoa que se sente verdadeiramente amada por Deus, nada a impedirá, à semelhança de Maria, de caminhar apressadamente por todas as montanhas ao encontro daqueles com quem podemos partilhar a alegria do dom, pois a graça é mesmo de graça!
Neste mês do Rosário, aprendamos, pois, com Maria a reconhecer e cantar as graças com que Deus constantemente nos abençoa, para nos tornarmos como Ela, fonte de graça para todos os homens!