32º Domingo do Tempo Comum
Embora de formas diferentes, é prática universal o reconhecimento público do mérito, nas diversas dimensões do saber e do fazer, seja na área científica, social e cultural, seja na área desportiva (óscares, prémios Nobel, medalhas, condecorações, comendas, etc.). A própria Igreja também atribui títulos honoríficos de monsenhor, de comendador, etc.
Pois, nas leituras deste Domingo também são atribuídos títulos. Só que as contempladas não preenchem os parâmetros habituais: são duas mulheres, viúvas e pobres, que tiveram a coragem de partilhar do seu ‘nada’ com os outros!
Por isso, aqui, os critérios são outros: a atribuição não se baseia na quantia oferecida, mas na generosidade do gesto feito; não no impacto mediático da ação realizada, mas na sua discrição e no silêncio que a envolve. Com efeito, elas não tocaram a trombeta da publicidade, nem chamaram as câmaras da televisão, nem a esquerda soube o que fez a sua direita. Mas a verdade é que elas deram mesmo, porque deram do que lhes fazia falta. Verdadeiramente só há doação, só há dom quando isso implica privação: dar do que sobra – o supérfluo – não é dar: é restituir!
Só quem tiver um coração de pobre é que é capaz de dar, de partilhar. Esperar pela sorte grande ou pelo €uromilhões para partilhar é querer iludir-se a si próprio, pois a questão central não está no ter – muito ou pouco – mas no querer: há sempre quem tenha menos do que eu e sempre tenho alguma coisa que posso partilhar. Milagre não é partilhar do muito, mas é ser capaz de repartir com os outros o pouco que se tem.
Mas, as pobrezas deste mundo não se limitam à falta de bens materiais. Somos constantemente mais desafiados em tempo, em atitudes de escuta e de acompanhamento através das mais diversas formas de voluntariado, do que em donativos materiais. De facto, a maior pobreza de hoje é a carência de atenção, de afeto e de carinho! Por isso, está ao alcance de todos alinhar ao lado destas duas viúvas, para, com elas, recebermos as comendas do nosso Deus!
Que este Ano Missionário seja aproveitado por cada um e cada uma de nós para fazermos frutificar mais abundantemente a nossa fé, ao jeito destas viúvas, cuja generosidade nos foi apresentada na Palavra do Senhor deste Domingo. Ocasiões não nos faltam: saibamos aproveitá-las, mesmo que para isso tenhamos de nos fazer companheiros de escola e de carteira destas duas alunas, as quais, mesmo antes do ensinamento e exemplo de Jesus, já tinham aprendido bem esta lição, que até é fácil de decorar, mas muito mais difícil de pôr em prática.