Congresso dos leigos associados espiritanos da europa
De 25 a 28 de abril, reuniram no CESM cerca de 35 representantes dos Leigos Associados Espiritanos da Europa. Este encontro, organizado pelos Leigos Associados em Portugal, foi uma ocasião de enriquecimento mútuo, de oração e reflexão, de partilha e colaboração. A colaboração e proximidade com os leigos faz parte da tradição espiritana. O Capitulo Geral da Torre d’Aguilha, em Portugal, há 15 anos atrás, declarou mesmo:
“o laicado espiritano é um ramo da árvore espiritana”.
Este encontro, organizado pelos Leigos Associados em Portugal, foi uma ocasião de enriquecimento mútuo, de oração e reflexão, de partilha e colaboração. Os representantes de cada circunscrição partilharam sobre o seu compromisso missionário, com as suas riquezas e desafios. O Irmão Marc Tyrant esteve presente, em representação do Conselho Geral. O P. Pedro Fernandes, Superior dos Espiritanos em Portugal, e a Fátima Monteiro foram convidados a partilhar sobre os desafios da Igreja no mundo dos jovens e dos leigos. Para além dos momentos em assembleia, houve trabalho de partilha e reflexão em pequenos grupos linguísticos.
Não podiam também faltar momentos recreativos e de descontração. Foi promovido um serão de convívio que encheu de boa disposição os participantes, e contou com a participação de Jovens Sem Fronteiras e outros membros da Família Espiritana. Houve ainda oportunidade de um passeio pela região, com uma visita ao lar “Anima Una”, onde colaboram diversos leigos espiritanos, e às cidades de Braga e Guimarães.
«O que me deu coragem para dizer sim foi Jesus, o Senhor da messe que me chamava para ir, para sair, para ser mais generosa, para tudo deixar e segui-Lo de maneira mais radical. Depois de ter aceitado, nunca mais senti nenhuma preocupação. Eu estava serena, dizendo para mim própria que se Deus me chamava e confiava em mim, Ele me daria as graças necessárias para responder a este novo desafio.»
Maria de Jesus Sousa, Leiga Associada do Brasil
Depois do Concílio Vaticano II, o fenómeno dos leigos associados à vida religiosa, desejosos de saborear as suas riquezas, não cessa de crescer. São cada vez mais numerosos, os leigos em contacto com as Congregações religiosas, que se interessam pela sua missão e que procuram alimentar-se da sua espiritualidade. Procuram viver dia a dia, na família e na profissão, alguns dos valores da vida religiosa. Estes valores são vividos como um “ar fresco” que dá novo sentido à sua vida e os ajuda a viver em profundidade a sua fé e a sua missão de leigos na Igreja.
Entre as realidades que configuram o mundo espiritano de hoje conta-se a partilha da sua espiritualidade e da sua missão com os leigos. A sua presença e participação na vida espiritana são uma riqueza e um dom que é acolhido com gratidão e esperança. A partilha da espiritualidade com os leigos, assim como novas formas de comunhão e corresponsabilidade na missão, fazem já parte do património dos Missionários do Espírito Santo. Procurando orientação para melhor realizar a sua vocação e missão, sentem-se atraídos pelo carisma espiritano, sobretudo quando é incarnado por missionários bem concretos. Alguns são atraídos, sobretudo, pela espiritualidade, pelas fontes de inspiração, pela oração e pela vida de comunidade; outros pelos compromissos missionários; outros ainda pelos dois ao mesmo tempo.
Os leigos na tradição espiritana
A colaboração e proximidade com os leigos faz parte da tradição espiritana. O Capitulo Geral da Torre d’Aguilha, em 2004, declarou mesmo: “o laicado espiritano é um ramo da árvore espiritana”.
O que atrai os leigos na família espiritana? A história pessoal dos Leigos Espiritanos faz-nos constatar que há três razões essenciais que determinam o seu desejo de querer beber das riquezas do seu carisma: a experiência espiritual, a missão específica e a vida em comunidade. Normalmente, são decisivos estes aspetos: o contacto no terreno com o testemunho de um ou vários missionários ou de uma comunidade, o conhecimento da ação evangelizadora de alguns dos missionários antigos ou ainda o contacto direto com os Fundadores e as fontes.
Maria de Jesus Sousa, uma leiga brasileira que está na Bolívia desde o início da missão espiritana naquele país, em 2003, testemunhou assim como foi a sua resposta à proposta para fazer parte da primeira comunidade espiritana na Bolívia. “A minha primeira reação foi um misto de alegria, de emoção e de receio: meu Deus! Porquê esta missão? Porquê eu? Como viver, fazer comunidade e trabalhar fora de meu país com somente dois padres e eu, uma mulher? Será que esta experiência vai resultar? As muitas questões que baralhavam a minha cabeça foram sendo respondidas progressivamente, através da oração e do discernimento. Duas razões me pareciam suficientes para eu aceitar. Antes de mais, se a Congregação me convidava é porque fazia confiança em mim e é porque eu devia reunir pelo menos algumas condições necessárias para ir em missão «ad extra». Depois, o que me deu coragem para dizer sim foi Jesus, o Senhor da messe que me chamava para ir, para sair, para ser mais generosa, para tudo deixar e segui-Lo de maneira mais radical. Eu sentia que Ele me convidava a ser, ao longe instrumento, do Seu amor, da Sua ternura e da Sua misericórdia. Depois de ter aceitado, nunca mais senti nenhuma preocupação. Eu estava serena, dizendo para mim própria que se Deus me chamava e confiava em mim, Ele me daria as graças necessárias para responder a este novo desafio”.
Leigos Associados em Portugal, no dia da renovação do seu contrato de associação, em abril de 2016, com alguns sacerdotes espiritanos. Da esquerda para a direita: P. José Maria de Sousa, José e Paula Ramalhoto (de Joane), Albertina América (de Barcelos), P. Eduardo Ferreira (Coordenador dos Leigos Associados em Portugal), P. Tony Neves (antigo Provincial), Maria do Carmo Carvalho (de Lisboa), Ana Maria de Sousa (de Ponte de Lima), Manuela Ribeiro (de Monte Abraão), António Galvão (de Vila Nova de Famalicão) e Hildeberto Maia (da Trofa).
Comprometem-se no serviço aos imigrantes e idosos, na animação vocacional e missionária, na coordenação e dinamização da catequese e educação cristã de adultos.

Concretamente na Europa, os leigos espiritanos, presentes em Espanha, Irlanda, Inglaterra, França, Holanda, Bélgica, Polónia e Portugal estão particularmente empenhados em projetos missionários de fronteira.
Compromisso missionário na Europa
Em muitos lugares é vasto o leque de projetos missionários que contam já com o empenhamento dos leigos espiritanos. Emigrantes e refugiados, toxicodependentes, minorias étnicas, ações ecuménicas, voluntariado missionário Ad Gentes, iniciativas que educam para o respeito pelas diversidades culturais, animação missionária… são domínios em que “os leigos trazem para a comunidade espiritana uma energia que vem da sua presença no mundo e da compreensão do mesmo”. Na verdade, os leigos estão persuadidos que “a espiritualidade espiritana floresce no serviço”. Dizia um leigo espiritano num congresso de leigos espiritanos europeus que reúne cada quatro anos: “ao exercer as nossas profissões podemos fazê-lo com um sentido missionário. Por exemplo: como professores, temos oportunidade de oferecer aos nossos alunos encontros e experiências em que possam sentir as necessidades dos pobres e adquirir o verdadeiro sentido da vida, bem como a nossa responsabilidade social”.
Em várias situações de desafio para a missão cristã, hoje no mundo, os leigos conseguem protagonizar iniciativas evangelizadoras de grande significado e evidente fecundidade apostólica. A sua estrutura ágil e predominantemente laical permite-lhes uma variedade de presença e ação missionária, impossíveis aos membros dos institutos missionários.
Concretamente na Europa, os leigos espiritanos, presentes em Espanha, Irlanda, Inglaterra, França, Holanda, Bélgica, Polónia e Portugal estão particularmente empenhados em projetos missionários de fronteira. A lista é larga e acena para grupos humanos particularmente frágeis: bairro de marginalizados em Córdoba, colaboração com Karibu (associação de amigos do povo africano), proteção a mulheres africanas em situações de vulnerabilidade, cuidado de saúde em centro de apoio a refugiados, trabalho pastoral junto de pessoas que cometeram algum tipo de delito, participação em atividades com a comunidade muçulmana, participação ativa em centro de apoio a imigrantes sem documentos, presença em lar de terceira idade que acolhe gente mais pobre, coordenação de organização de apoio a refugiados que foram vítimas de tortura, compromisso no acompanhamento educativo de crianças e jovens em risco, etc. .
A abertura aos leigos não é um recurso para resolver o problema dos religiosos, mas porque os leigos podem dar uma nova forma a um carisma que quiçá pode estar a envelhecer. Eles poderão ajudar a descobrir outras dimensões do carisma, outras mediações, uma nova incarnação no nosso tempo e novos espaços da nossa vocação. Não é verdade que existem já carismas, até aqui femininos, (Focolares) que estão já a ser vividos por comunidades sacerdotais? Não é verdade que muitos leigos se sentem mais agilmente motivados para o voluntariado missionário ad gentes que os religiosos professos desejosos de partir em missão lá fora? Isto equivale áquilo a que poderíamos chamar uma refundação, uma nova fase da fecundação do carisma, um regresso às origens, uma nova identidade mais articulada e mais integrada numa Igreja-Comunhão.
Na Europa, como noutras geografias, religiosos e leigos em missão partilhada, não estão no fim de um caminho de reflexão sobre as relações mútuas destes, impropriamente chamados, dois estados de vida. Acreditamos que é necessário estar abertos às manifestações do Espírito e à especificidade de cada situação concreta.
“E depois disto designou o Senhor ainda outros setenta e dois, e os enviou dois a dois à Sua frente, a toda a cidade e lugar aonde ele próprio devia ir” (Lc. 10,1).
No início do terceiro milénio, confrontados com o imenso trabalho da messe, estamos sentindo de novo a urgência do convite de Jesus para ir, não individualmente, mas “dois a dois” – leigos e religiosos, mulheres e homens, movimentos laicais e vida consagrada – a todas as partes do mundo onde ainda não é conhecido o Seu nome, a Sua palavra e a Sua misericórdia.