Há encontros que nos mostram que a Igreja está viva não porque repete doutrinas, mas porque toca a vida real das pessoas e ajuda a refletir sobre ela. É isso que tem acontecido nestes primeiros meses de 2026, tanto no CESM (Silva/Barcelos) como na Torre d’Aguilha (Cascais), onde os Espiritanos promovem dois espaços com uma mesma missão: pensar a fé e aproximá-la dos desafios do mundo atual.
Cada uma destas sessões reúne, em média, cerca de sessenta participantes, que partilham e aprofundam a sua fé e o compromisso cristão. De modo geral, há uma ideia comum a todos estes encontros, em que o cristianismo não é apenas uma teoria, mas, acima de tudo, um «encontro».
Esse encontro manifesta-se na defesa da liberdade religiosa, um tema abordado pelo Dr. Félix Lungu no CESM e também na Aguilha. Num mundo em que 64,7% da população vive em países onde este direito é gravemente violado, recordou-se que acreditar não é um privilégio, mas um direito universal, e que os cristãos continuam a ser os mais perseguidos.
Manifesta-se também no cuidado da saúde mental. Colaboradores da Obra de S. João de Deus (Areias de Vilar-Barcelos) mostraram como a fé pode ser um antídoto contra a solidão, ajudando a enfrentar a ansiedade, a depressão e o burnout. Na Aguilha, refletiu-se ainda sobre a inteligência artificial e os seus desafios éticos, mostrando que a fé está chamada, igualmente, a iluminar as questões mais atuais.
Este encontro concretiza-se, sobretudo, à mesa do pão-nosso de cada dia e da Eucaristia. O P. João Torres, no CESM, colocou uma mesa no centro da reflexão para recordar, a partir da sua experiência missionária em Moçambique, que a mesma mesa de madeira que serve para a Eucaristia serve também para a refeição fraterna. «A missa começa em casa», recordava igualmente, na Aguilha, o P. Pedro Lourenço, que aprofundou a liturgia como um encontro vivo.
E encontra-se também em Maria. Tanto no CESM/Silva como na Aguilha, ficou claro que Maria não ocupa o lugar de Cristo, mas aponta para Ele. Ela é um verdadeiro modelo de fé e ensina-nos que dizer «sim» a Deus transforma a história.
No centro de tudo isto, não podemos esquecer o lugar dos pobres. A partir da Exortação Apostólica do Papa Leão XIV, Amei-te, e de todo o trabalho desenvolvido pela Cáritas, em particular pela Cáritas de Braga, compreendemos facilmente que os pobres estão verdadeiramente no coração do Evangelho e da Igreja, não como números ou estatísticas, mas como irmãos.
Os próximos encontros
Ainda neste mês de junho decorrerão novas formações. Na Torre d’Aguilha terá lugar um ciclo de três encontros orientados pelo P. Rui Santiago, centrados nas virtudes teologais da Fé, da Esperança e da Caridade. No CESM/Silva será ainda refletido o tema da «Espiritualidade sem Deus». Depois, entre outubro e dezembro, serão aprofundadas questões como a missão ad gentes nos dias de hoje, o diálogo inter-religioso e a salvação cristã integral: física, psíquica e espiritual.
Estes não são assuntos reservados apenas a sacerdotes ou teólogos. São questões que exigem de todos os batizados uma mentalidade cristã bem formada, capaz de responder ao mundo com lucidez e esperança. Trata-se de «estar sempre dispostos a dar razão da nossa esperança», como nos recorda S. Pedro (1Pe 3,15). E para isso precisamos tirar tempo, participar, questionar e aprofundar o conteúdo da nossa fé e da nossa vida.
Por isso, fica o convite para que participem, tragam os vossos amigos e se envolvam. Só assim poderemos crescer na fé e construir juntos uma Igreja mais consciente, mais aberta e mais fiel ao Evangelho. Só assim seremos verdadeiramente uma Igreja missionária.















