Angola

Em 1482, chegou à foz do rio Congo uma frota portuguesa, comandada pelo navegador Diogo Cão que de imediato estabeleceu relações com o Reino do Congo. Este foi o primeiro contacto de europeus com habitantes do território hoje abrangido por Angola, contacto este que viria a ser determinante para o futuro deste território e das suas populações. O nome Angola é uma derivação portuguesa do termo bantu N’gola, título dos reis do Reino do Ndongo existente na altura em que os portugueses se estabeleceram em Luanda. Desde 1975, Angola é um país independente. Durante mais de 40 anos, de 1961 a 2002, o país foi martirizado pela guerra, primeiro pela guerra da independência e depois pela guerra civil.

O país tem vastos recursos naturais, como grandes reservas de minerais e de petróleo. Com o final da guerra, apresenta grandes taxas de crescimento. No entanto, os padrões de vida angolanos continuam baixos; cerca de 70% da população vive com menos de dois dólares por dia, enquanto as taxas de expectativa de vida e mortalidade infantil no país continuam entre os piores do mundo, além da presença proeminente da desigualdade económica.

Espiritanos em Angola

A missão em Angola foi a principal razão pela qual os Espiritanos se implantaram em Portugal. Durante várias décadas, foi a prioridade da Província Portuguesa, embora o fosse também de toda a Congregação. O padre Torres Neiva escreve em 2004 que “dos 1028 missionários espiritanos que passaram por Angola, 502 eram portugueses”. O padre José Maria Antunes elaborou em 1894 um plano de evangelização de Angola. Nos primeiros cem anos de presença em Angola os espiritanos fundaram 88 missões. Em 1966, trabalhavam aí 202 padres e 50 Irmãos.

A evangelização de Angola foi sem dúvida a grande obra missionária da Província Portuguesa nestes 150 anos de existência. Para aí partiram a maior parte dos missionários, aí se investiu mais pessoal e recursos, aí se formou mais clero local, se ergueram as maiores estruturas, e aí ficaram também mais mártires. A atividade missionária consistia na evangelização das populações, mas também num notável trabalho no campo educativo, sanitário e científico. São construídas as grandes estruturas religiosas, como igrejas, seminários e residências, que servirão também como base das futuras dioceses e paróquias à medida que vão sendo criadas. Mas também hospitais, escolas, internatos, oficinas. Outras obras emblemáticas para a Igreja em Angola são também iniciativa de espiritanos: o jornal “O Apostolado” fundado em 1935, a rádio Ecclesia que iniciou as suas emissões em 1954, a Casa dos Rapazes de Luanda em 1942 e a Casa dos Rapazes de Nova Lisboa em 1955. Ao mesmo tempo, foi realizado um considerável trabalho no campo científico, especialmente linguístico e etnográfico, de que falaremos adiante. 

Em 1977, dois anos após a independência, foi criada a Província Espiritana de Angola. Muitos espiritanos tinham deixado Angola, obras e missões tinham sido confiscadas pelo governo, a ideologia marxista é difundida. Portanto, o contexto político e social é outro, mas a missão espiritana continua. É sobretudo em contexto de guerra civil que os espiritanos são agora chamados a dar testemunho da sua fé e solidariedade ao povo que os acolhe. A insegurança, o abandono e destruição de estruturas, a incerteza quanto ao futuro, a emergência humanitária e sanitária, farão parte da sua missão. Talvez das mais belas páginas da missionação em Angola foram escritas nestes novos contextos por espiritanos portugueses, angolanos, franceses, holandeses, irlandeses. Hoje, a Província Espiritana de Angola de forma sólida assume a sua missão evangelizadora no país e forma novos missionários que envia para outros países. Em 2017, trabalham 5 espiritanos portugueses em Luanda, Chinguar, Golungo Alto, Lukapa e Kalandula.

Saiba mais sobre a história dos Espiritanos em Angola em "História da Província Portuguesa":

Um país mais próspero, democrático e justo

Apelos e reflexões dos bispos de Angola, na Mensagem Pastoral sobre as Eleições que se aproximam.

Mês Espiritano: comunhão e missão

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Abraçar a Missão

“Abraçar a Missão” foi o nome escolhido para o projeto de missão que uniu pela primeira vez MOMIP, LIAM, Missionários Espiritanos e Sol sem Fronteiras numa experiência de missão ad gentes, no Lubango - Angola.

Católicos Angolanos celebram com Arcebispo de Malanje

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150 anos de Missão em Angola

A 14 de março de 1866, os espiritanos chegaram a Angola. 150 anos depois, celebraram com alegria e gratidão.

Capítulo de Angola

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Vida e Missão nas áreas do Gungo

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Angola, 40 anos

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Angola: Tarefas inadiáveis e urgentes

40 anos após a independência, Angola fez grande festa a 11 de Novembro e os Bispos católicos associaram-se a este momento de especial comemoração.