Sereis minhas testemunhas até aos confins da terra

Atos 1, 8

Somos uma família missionária, fundada em 1703 e dedicada ao anúncio do Evangelho sobretudo entre os mais pobres e os que mal ouviram falar de Cristo.

Com mais de 300 anos de missão, olhamos o futuro com renovada confiança na ação do Espírito Santo. Assim vivemos e trabalhamos: 

  • Ao lado dos mais pobres e abandonados
  • Ao serviço da primeira evangelização
  • Em defesa da Justiça e da Paz
  • Ao serviço das Igrejas locais
  • No diálogo com as outras religiões

A Missão que nos foi confiada

Enviado pelo Pai e consagrado pelo Espírito Santo, Jesus Cristo veio salvar todos os homens. O mesmo Cristo prossegue hoje no mundo esta missão de salvação, da qual a Igreja é o sacramento. É no coração do povo de Deus e entre outras vocações, múltiplas e diversas, suscitadas pelo Espírito Santo, que nós, espiritanos, somos chamados pelo Pai e «segregados» (cf At 13,2) para anunciar a Boa Nova do Reino, no seguimento de Seu Filho. Respondemos a este apelo num Instituto religioso missionário, a Congregação do Espírito Santo sob a proteção do Imaculado Coração de Maria

Regra de Vida Espiritana

É com estas palavras que abre a Regra de Vida Espiritana (RVE), o documento que nos orienta, estabelecendo a nossa identidade, a nossa missão e a forma de nos organizarmos. A RVE determina que nos dirigimos de preferência: àqueles que ainda não ouviram a mensagem do evangelho ou mal a ouviram; aos oprimidos e mais desfavorecidos individual e coletivamente; assumimos tarefas para as quais a Igreja dificilmente encontra obreiros. (RVE 12). No coração da nossa vocação está, pois, a vida apostólica. Para vivermos esta «vida apostólica», a nossa consagração inclui três dimensões essenciais: o anúncio do Evangelho, a prática dos conselhos evangélicos e a vida em comunidade fraterna e orante. (RVE 3)

Onde nascemos

A certidão de nascimento da Congregação do Espírito Santo traz uma data: 27 de maio de 1703; e um local: Paris. Nesse dia, Festa de Pentecostes, um grupo de estudantes pobres, liderados pelo jovem Cláudio Francisco Poullart des Places, consagrou-se ao Espirito Santo na igreja de Saint-Etienne des Grés. Fundavam assim, aos pés da imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso, a primeira comunidade do Seminário do Espírito Santo. Claudio Poullart des Places tem apenas 24 anos, só será ordenado padre aos 27 e morre com 29. A finalidade desta Obra era acolher seminaristas pobres, dar-lhes uma sólida formação espiritual e intelectual e enviá-los para as dioceses mais carenciadas de clero. A aprovação legal da “Congregação e Seminário do Espírito Santo, sob a proteção da Virgem Imaculada”, só viria a acontecer 30 anos depois, mas desde a primeira hora, e ao longo de século e meio, formaram e enviaram centenas de padres para as dioceses de França, Canadá, Extremo Oriente e África.

Em 1841, também em Paris, o padre Francisco Libermann, um judeu convertido ao cristianismo, fundou a Sociedade do Imaculado Coração de Maria. Esta fundiu-se com a Congregação do Espírito Santo em 1848, já que partilhavam a mesma missão e espiritualidade. Inicia-se a segunda fase da história da Congregação, marcada pelo dinamismo desta nova família missionária e pela forte espiritualidade do Padre Libermann. 

A espiritualidade que nos alimenta

“A experiência interior fundamental de Francisco Libermann foi a da força gratuita da graça de Deus. Deixar-se invadir por este absoluto foi a grande aposta da sua vida. ‘Entregar-se’ é uma palavra que aparece constantemente nos seus livros. A docilidade ao Espírito Santo, vivendo em nós, será a chave da sua espiritualidade. Ele empregará toda uma série de imagens para exprimir esta entrega ao Espírito. Ser como uma criança que tudo espera de sua mãe, ser como argila nas mãos do oleiro, como a estátua nas mãos do escultor, como o ferro nas mãos do ferreiro, como leve pena nas asas do vento. É preciso esperar a hora de Deus, aceitar deixar-se conduzir por Ele, ser paciente na provação, não ir mais além do que a graça nos conduz, aceitar os ritmos e os tempos e Deus”. (Adélio Torres Neiva, História da Província Portuguesa 1867-2004, p 740). 

A esta atitude de consagração e docilidade ao Espírito Santo acrescenta Libermann a consagração ao Imaculado Coração de Maria, uma intuição que nasce da sua própria experiencia de fé. Depois da sua conversão e batismo sentirá a presença materna de Maria nos momentos decisivos da sua vida e da sua Obra. “Maria é o modelo de docilidade e fidelidade às inspirações do Espírito Santo, em todos os aspetos da nossa vida, sobretudo na oração. Veneramo-la e invocamo-la, para que o Espírito Santo, presente no Seu Coração Imaculado, se torne para nós, como n’Ela, manancial fecundo do nosso espírito apostólico”, assim nos orienta a nossa Regra de Vida (RVE 89). “A fusão da Congregação do Espírito Santo, de Poullart des Places, com a do Imaculado Coração de Maria, de Libermann, não foi apenas a junção de duas Congregações: ela veio pôr em evidência a união profunda que existe entre o Espírito Santo e Maria na origem e plenitude da missão”. (Adélio Torres Neiva, o.c., p 741)

Onde estamos

Hoje, com mais de 300 anos de história, a Congregação do Espírito Santo tem cerca de 3000 membros (Padres e Irmãos) e está presente em 61 países nos 5 continentes. O nosso carisma é partir em missão para outros países ou regiões, por isso não surpreende a grande diversidade de geografias e culturas. Essa geografia inclui países de maioria cristã como Cabo Verde, Holanda ou Filipinas, mas também países de maioria muçulmana como a Argélia, ou maioria hindu como a Índia, ou maioria budista como o Vietname. A missão espiritana vive-se nas periferias de S. Paulo ou de Luanda, nas comunidades campesinas do Paraguay, nas paróquias e missões de Moçambique ou Tanzânia, nas universidades dos Estados Unidos ou de Taiwan, com os imigrantes de Lisboa ou de Roma, nas comunidades ribeirinhas da Amazónia ou do Congo, na insegurança da Nigéria ou da República Centro Africana. Inclui países onde estamos há 300 anos e temos sólidas estruturas, como a França, e países onde acabamos de chegar e estamos a aprender a caminhar como o Vietname ou a Índia. 

Os cerca de 120 espiritanos portugueses trabalham em Angola, Cabo Verde, Moçambique, Brasil, México, Paraguai, Bolívia e Espanha.

Em Portugal

Em Portugal temos 11 comunidades, do Minho ao Algarve. Em Viana do Castelo está o Centro de Animação Missionária e Casa de repouso para missionários idosos. Em Barcelos (Silva), está o CESM (Centro Espírito Santo e Missão) que acolhe, organiza e dinamiza atividades de espiritualidade, como retiros e ações de formação cristã. Em Braga (Fraião) está o Lar “Anima Una” onde estão os missionários idosos ou mais debilitados na saúde, e também um Centro de Animação Missionária, o Centro Vocacional e ainda os espiritanos que se dedicam ao ministério na paróquia de Nogueira. Na Régua (Godim) está a comunidade que presta ministério paroquial nas três paróquias que aí nos estão confiadas. No Fundão e em Coimbra estão Centros de Animação Missionária. No Porto está a Casa de Formação de Jovens Postulantes e também o Centro de Animação Missionária. Em Lisboa está a Casa Provincial, a Procuradoria das Missões, a sede da Animação Missionária e dos Jovens sem Fronteiras e o CEPAC (Obra de apoio aos Imigrantes). Em S. Domingos de Rana (Torre d’Aguilha) está a comunidade que acolhe os espiritanos que se dedicam ao ministério paroquial em Tires e Abóboda, à animação missionária, ao acompanhamento das comunidades africanas e ainda um Centro de Acolhimento. Em Mértola e em S. Brás de Alportel estão duas comunidades que se dedicam ao ministério paroquial.

Os nossos compromissos em Portugal

A Animação Missionária

Ao longo dos anos esta foi uma das imagens de marca dos espiritanos: ajudar a Igreja portuguesa a sentir a Missão como fazendo parte da sua vocação cristã. Hoje, a animação missionária continua a ser o rosto mais visível da nossa presença em Portugal e nesta missão estão empenhados muitos missionários e dedicadas muitas estruturas. As expressões mais significativas desta vertente são o movimento da Liga Intensificadora de Ação Missionária (LIAM); os Jovens sem Fronteiras (JSF); o Movimento Missionário de Professores (MOMIP); o Centro Espírito Santo e Missão (CESM). Dos vários movimentos na atualidade falaremos mais em pormenor quando apresentarmos a Família Espiritana. 

Desde o início que os espiritanos se preocuparam em sensibilizar os católicos portugueses para a urgência de participarem no esforço missionário através da oração, das vocações e da solidariedade material. Quando a Congregação foi relançada em Portugal em 1919 a animação missionária começou a organizar-se de forma mais sistemática e estável. O padre Moisés Alves de Pinho, que será Bispo de Angola e Congo a partir de 1932, lança em 1921 a revista “Missões de Angola e Congo” que se destinava a sensibilizar para a causa missionária, e relança a Associação Nossa Senhora de África (tinha sido criada em 1847 mas extinta em 1910) que em 1929 já atingia 80 mil associados. Mas é sobretudo com a nomeação de alguns espiritanos para a animação missionária a tempo inteiro que se estrutura este sector na Província. Alguns foram particularmente marcantes nesta ação: é o caso do padre Agostinho de Moura, a quem se deve a fundação da LIAM em 13 de Maio de 1937; o padre José Felício, que a desenvolveu e implantou em todo o país, ao mesmo tempo que dava origem aos Encontros Missionários de Professores, futuro MOMIP; o padre Marinho Lemos, que reanimou este sector no início dos anos 90; ou o padre Firmino Cachada, que nos anos 80 colocou a prioridade na juventude fundando os Jovens sem Fronteiras.

Foi ainda dentro deste esforço de Animação Missionária que se criaram instrumentos de difusão, alguns dos quais permanecem até hoje: o “Almanaque das Missões” (1938), o “Calendário das Missões” (1946) e a “Agenda das Missões”(publicada de 1946 até 2007); o jornal “Ação Missionária” (1940); a revista “Encontro” (publicada de 1963 até 2010), e ainda a publicação de dezenas de livros sobre formação e espiritualidade cristã. 

Atividade no CEPAC

A justiça e paz

“Consideramos como partes constitutivas da nossa missão de evangelização: - a libertação integral do homem; - a atividade a favor da justiça e da paz; -e a participação no desenvolvimento” (RVE 14).

Este resumo da Regra de Vida Espiritana vem na linha do que o padre Libermann já estabelecera nos Regulamentos da Congregação em 1849: “Sereis os advogados, o sustentáculo e os defensores dos fracos e dos pequenos, contra todos aqueles que os oprimem”

O rosto mais visível deste compromisso espiritano com a justiça é o Centro Padre Alves Correia (CEPAC) criado em 1992 e que está situado em Lisboa na Rua de Santo Amaro. É uma obra espiritana de apoio a imigrantes nos domínios da saúde, alfabetização, emprego, formação, documentação, vestuário e alimentos. Conta com a direção espiritana e a colaboração de muitos voluntários. De notar que o apoio aos imigrantes, sobretudo africanos, é uma longa tradição espiritana, que desde os anos 60 do século XX assegurava em Lisboa a Capelania dos Africanos. A participação no desenvolvimento é também a missão da “Sol sem Fronteiras” (SOLSEF), uma Organização não Governamental sem fins lucrativos, que nasceu a partir dos Jovens Sem Fronteiras em 1993. Os seus projetos são implementados sobretudo em Africa nas áreas da educação e saúde.

Consideramos como partes constitutivas da nossa missão de evangelização: a libertação integral do homem; a atividade a favor da justiça e da paz; e a participação no desenvolvimento

Regra de Vida Espiritana, 14

As paróquias

O compromisso paroquial dos espiritanos em Portugal é antigo, embora nunca tenham sido assumidas muitas paróquias, já que a prioridade foi sempre enviar missionários para outros países e regiões de primeira evangelização ou de maior carência de clero. A paróquia assumida há mais tempo é a de S. José de Godim, em 1927, no ano em que aí foi inaugurado o Seminário menor. Atualmente temos paróquias em cinco dioceses: Vila Real (Godim, Fontelas, Oliveira e Loureiro); Braga (Nogueira); Lisboa (Abóboda e Tires); Beja (Mértola e as restantes 9 paróquias do concelho); Algarve (S. Brás de Alportel e Santa Catarina da Fonte do Bispo). 

Mas ao longo dos anos muitas outras nos estiveram confiadas. Na segunda metade dos anos setenta e na primeira dos anos oitenta, no contexto do regresso de muitos espiritanos de Angola, foram assumidas por breves períodos de tempo quase uma vintena de paróquias, em diferentes dioceses. 

A Formação e Pastoral Vocacional

Ajudar os jovens a discernirem a sua vocação dentro da Igreja é a missão do Centro Vocacional Espiritano (CVE) que tem a sua sede em Braga. O acompanhamento dos que querem fazer um percurso de formação dentro da família espiritana, em ordem à consagração como religiosos na Congregação, seja como Padres ou como Irmãos, também é feita neste centro numa primeira etapa. Aqui funciona o primeiro ciclo dos estudos teológicos, frequentados na Faculdade de Teologia em Braga. Depois do noviciado, que atualmente é feito em França, o percurso formativo prossegue no segundo ciclo, cuja comunidade está situada na cidade do Porto, na rua do Pinheiro Manso. Nos dois casos acolhemos também jovens espiritanos provenientes de outros países, especialmente de África. No Porto os estudos teológicos são feitos também na Faculdade de Teologia aí situada.