Mais e melhor, há 80 anos

No dia 13 de maio de 1937 nascia em Fátima este movimento que visava “despertar a adormecida consciência missionária coletiva e mobilizar a generosidade cristã a favor da atividade missionária da Igreja”. É um dos movimentos laicais mais antigos em Portugal. É formado por grupos de inserção paroquial que se dedicam à Animação Missionária, à oração e ao apoio à missão além-fronteiras. A sua principal missão é ajudar as paróquias onde se inserem a assumir a vocação missionaria.

O Passado

Não é todos os dias que se fazem 80 anos! Fundado aos pés de Nossa Senhora, por três grandes Espiritanos, Pe Agostinho de Moura, Pe. José Felício e Pe. Teixeira Maio, a 13 de Maio de 1937, este Movimento Missionário – LIAM, tem um passado muito rico na história da Igreja em Portugal e na Animação Missionária das nossas comunidades paroquiais.

Inseridos no Centenário das Aparições de Fátima, este jubileu da LIAM redobra o seu sentido, pois quase que nascem em simultâneo. Passados vinte anos das Aparições em Fátima, a LIAM já fazia a sua história e abria uma nova página que visava “despertar a adormecida consciência missionária colectiva, mobilizar a multímoda generosidade cristã nacional a favor do mais importante e mais santa de todas as obras católicas, a obra missionária”.

É de ressaltar que rapidamente esta obra foi bem acolhida pelos Bispos portugueses e pelas Escolas e Universidades. E nos primeiros vinte anos foram-se esboçando os seus respectivos estatutos que aos poucos eram aprovados pelos Bispos locais. Foram os anos auges da Acção Missionária levada a cabo pela LIAM. Muita coisa positiva se fez e que hoje devemos fazer memória agradecida.

A LIAM foi crescendo e espalhando-se pelas várias Dioceses de Portugal até que pelos anos 80, a realidade da Animação Missionária já fazia parte do ADN da Província Espiritana de Portugal. Até que em 2003, a Conferência Episcopal Portuguesa aprovada os Estatutos definitivos que vigoram até aos dias de hoje.

O Presente

Passado 80 anos de existência da LIAM, o presente desta confunde-se com muita gente que foi envelhecendo e que acompanhou a LIAM desse as suas origens. O presente hoje passa, sem dúvida por uma atitude de eterna gratidão a todas estas pessoas que deram as suas vidas às Missões e por outro lado, termos a arte e o engenho de passar este espírito missionário às novas gerações. Em muitos casos tem-se conseguido fazer esta passagem duma forma natural, noutros casos torna-se mais difícil pois entretanto os grupos envelhecidos fecharam-se à renovação e ao rejuvenescimento.

Actualmente há uma aposta clara da Congregação em reforçar as equipas da Animação Missionária com gente mais nova a fim de que, por uma lógica de mais proximidade, se consiga rapidamente esta renovação.

Temos cerca de 280 núcleos missionários espalhados por 12 Dioceses de Portugal. Existe um Conselho Nacional de leigos a funcionar muito bem e os núcleos com as respectivas Direcções bem como as várias Equipas Diocesanas da LIAM.

O futuro

Falando de futuro é falar de esperança. E isso nunca nos pode faltar. Acreditamos que a nossa LIAM vai conseguir renovar-se e passar este espírito missionário às gerações mais novas. Nesta perspectiva de futuro é importante salientar algumas urgências a ter em conta: 

Renovação espiritual de todos os seus membros. Acima de tudo é importante a renovação dos corações e das mentes para que haja novo espírito missionário; 

Renovação dos grupos. Haver a coragem de atrairmos gente mais jovem para os núcleos e não termos medo de passarmos a pasta aos mais novos. Não nos agarremos aos cargos e às coisas.

Rejuvenescimento dos membros. Não termos medo de namorar e convidar elementos mais novos a integrarem os nossos grupos e os vários órgãos da LIAM. Acreditamos que isto é possível se houver entusiasmo e garra missionárias. 

Alargamento a outras paróquias. Se há um ou outro grupo que vai morrendo, têm de nascer novos grupos. Temos de ter a ousadia e a criatividade de nos lançarmos ao largo pois o Reino de Deus é grande. Levar este ideal missionário a outras Paróquias. Só assim conseguiremos fazer de Portugal uma igreja com um rosto mais missionário, como nos pediram os Bispos numa nota pastoral em 2010.

P. Nuno Rodrigues

Para mim, ser liamista, é, na minha condição de Baptizada, ter sido chamada para a missão confiada à igreja. Como movimento de cristãos leigos, inserido nas paróquias, ser liamista é crescer espiritualmente, aprofundar a nossa fé, doar o nosso tempo, o nosso trabalho e o nosso talento, de forma desinteressada e responsável. É promover, mensalmente, catequeses de adultos para a renovação das comunidades cristãs, mostrando e promovendo o espírito e o dinamismo missionário… É promover ações de voluntariado… É ter paixão por amor e paixão por fazer sacrifícios, em benefício dos nossos irmãos mais necessitados, cá e além fronteiras. O ano de 2016 foi para mim um ano muito marcante na minha vida. Fiz parte do projecto “Abraçar a Missão”, que, me ensinou a caminhar, mais forte na minha fé como missionária. Muito ficou por fazer, mas tenho a noção que ESTIVE e VIVI em MISSÃO, não só a nível pessoal e espiritual, mas principalmente como Missionária e Liamista. Neste ano dos 80 anos da LIAM e 150 dos Espiritanos em Portugal, vamos celebrar com muita alegria, fazendo renascer o ânimo missionário em todos os grupos, alargando a LIAM a outras paróquias, renovar e fazer crescer os grupos existentes, tornando-os mais fortes.”

Marta Fonseca

A LIAM nasce na Igreja e para a Igreja. É um Movimento Missionário de cristãos leigos que, sob o impulso do Espírito Santo, está aberto às necessidades da Igreja universal: vocações missionárias, animação e cooperação missionárias. A LIAM procura criar grupos missionários nas paróquias, inseridos na Pastoral paroquial, com compromisso missionário concreto: olhar o universal e os desafios locais, de forma dinâmica (não activista). É fermento na Paróquia! Um grupo da LIAM vive em comunhão e trabalha em união com todos os grupos apostólicos, procurando, dos mais diversos modos, despertar e sensibilizar todos os cristãos da comunidade paroquial a viver a dimensão missionária, a viver o impulso missionário Ad Gentes, contribuindo para uma Igreja sempre mais missionária. A espiritualidade da LIAM procura realizar a vocação batismal de cada dos seus membros, em ordem à santificação pessoal e ao apostolado. A espiritualidade que deve animar os membros da LIAM (liamistas) é a espiritualidade missionária espiritana radicada no Evangelho, vivida na docilidade ao Espírito Santo, no amor filial ao Imaculado Coração de Maria e o zelo pela causa missionária. Ser LIAM, para mim, significa amar ao jeito de Deus.

Hildeberto Maia

Para mim, ser Liamista é viver em Missão. É ter a marca de Cristo e mostrá-la; É ser sinal do Espírito Santo, na vida; É a vontade de tornar a família, a paróquia, o mundo, melhor, pela oração, pela partilha, pelo apoio à Missão, onde cabem todos e todos contam, numa Igreja tolerante e livre que reconhece as diferenças e as respeita, sentindo todos como irmãos. É sentir, cá dentro, a voz de Cristo que nos diz: «não tenhais medo, Eu estou convosco» e, nos momentos de desânimo, de receio, de angústia, que Ele caminha connosco, mesmo ali ao meu lado, dá-me a mão e ampara-me com a bondade de quem quer animar. É olhar em frente com decisão e coragem pela missão de ser sempre mais e melhor Cristão Liamista.

Laura Borges

Sempre actuando, mais e melhor, damos ao mundo verdade e amor”. É assim o refrão do hino da LIAM e foi vivendo esta mensagem que a LIAM actuou e actua nas comunidades ao longo dos seus oitenta anos de existência. De facto, os núcleos da Liam têm levado a cabo muitas acções vivendo assim o seu carisma. “Sem mim, nada podeis fazer”. Porque a oração é o motor da missão, todos os núcleos têm o hábito de rezar pelas missões, pelos missionários e pelas vocações. Com criatividade, colocam comunidades em oração pelas intenções missionárias. Sendo assim, fermento no meio da massa. “Se ouvirdes as minhas palavras e as puseres em prática, dareis muito fruto”. Todos os meses os núcleos têm a sua reunião de reflexão e de estudo, onde aprofundam a sua Fé. Tomam conhecimento de notícias das missões, participam em retiros de formação, nos encontros Regionais, Diocesanos e Nacionais e nas peregrinações. “Pelos frutos se conhecerá a árvore”. A partir das reuniões, surgem ideias e há que as pôr em prática e é maravilhoso lembrar e acompanhar nos dias de hoje, quanta dedicação e amor puseram ao longo destes oitenta anos em favor da causa missionária milhares de liamistas, que muitas vezes tiraram da boca para ajudar as missões. PARABÉNS, Querida LIAM! Vamos em frente!

Silvina Martins

Estamos a celebrar os 80 anos da Missão, ao perto e ao longe; tantas vidas doadas a esta nobre causa, da qual tenho alegria de fazer parte. Sou liamista desde a juventude. Foi na LIAM que descobri a minha vocação laical e dei um sentido novo à vida. Devo-lhe muito. Com fragilidade, é certo, mas com esperança e, serenamente, procuro caminhar sempre nesta estrada de missão. Quero fazer memória aqui da promoção e colaboração vocacional da LIAM. Mais do que criar, foi uma grande bênção ter colaborado com jovens em discernimento vocacional: os chamados “Os Amigos da Missão”. Recebi muito mais do que o que dei. E, ainda hoje, encontro jovens que já tenha constituindo família, me exprimem gratidão pela descoberta da Missão e que no seu dia a dia incutem os sinais da missão aos seus descendentes. Durante alguns anos, pediram-me que colaborasse como presidente nacional da LIAM. De maneira simples, fiel ao meu estilo, procurei estar atenta aos sinais de Deus: ouvir, escutar, compreender e, sobretudo, animar. Expresso a minha profunda gratidão e carinho para com os animadores missionários. De cada um deles aprendi, em especial, o testemunho e santidade de vida. Em 2008, tive a alegria de ver, de ouvir e de estar no terreno, isto é, de ser missionária com “as mãos na massa”, neste caso em Cabo Verde! Jamais esqueço o que vi, o que ouvi. Por isso, não posso abafar esta chama da missão… nem ficar de braços cruzados… quero continuar a trabalhar, mais e melhor! O que sou e o que faço é uma pequena gota no oceano, mas este é feito de muitíssimas gotas, todas unidas. Enquanto puder e, Deus quiser, quero ser uma gota mais!… Em tempo de Páscoa, Jesus convida os seus discípulos à Alegria. Esta é a minha convicção: ser liamista e pertencer à família espiritana é ser testemunha da alegria da missão. Por isso, em oração, com palavras e com gestos, desejo viver em comunhão e solidariedade, ao jeito de Francisco Libermann e Cláudio Poullart des Places, para que a grande alegria da Missão chegue a todos!

Ana Maria de Sousa