"Pontes" de Solidariedade

Por: Sandra Simões, ex-presidente dos JSF e de Sol Sem Fronteiras

Numa tentativa de definição, pontes são actividades de voluntariado missionário jovem, que decorrem durante o mês de Agosto, no contexto da lusofonia, com especial incidência nos países africanos de língua oficial portuguesa, e que nasceram no seio dos Missionários do Espírito Santo, através dos Jovens Sem Fronteiras, e que, actualmente, contam com a organização conjunta dos JSF e da ONGD Sol Sem Fronteiras. São actividades que contam com a participação de jovens de todo o país pertencentes, essencialmente, a grupos de JSF.

Numa perspectiva individual, a realização de uma ponte não é mais que uma resposta a propostas concretas: “Ide e evangelizai” e “ide e dai de graça”. Ide e dai de graça a vida, o tempo, o que sabeis fazer, o que sois. Não no sentido de uma encomenda que se envia e que se deixa no destinatário, mas como uma presença, um dom que se faz graça e gera comunhão. Estas pontes são, assim, a realização do mandato recebido no baptismo. Cabe ao Espírito Santo arquitectar e ser o engenheiro-chefe desta construção. Nós somos meros operários desta obra e simultaneamente pedras vivas. A palavra ponte define bem, como nenhuma outra, o sentido que estas actividades envolvem: união entre povos, culturas e fé. De outra maneira, cooperação e desenvolvimento com valores cristãos pela mão de jovens missionários. 

Das várias edições das pontes (ver caixa) as tónicas comuns têm sido a educação, a saúde e a pastoral, quer na acção directa com as populações locais quer através da formação de formadores. O contacto com as populações locais, em especial as crianças e os jovens, faz sobressair a entrega, o entusiasmo e a beleza destas actividades. O tipo de experiência realizada e o local da sua realização é fruto de um convite das comunidades missionárias. O excelente trabalho dos missionários que lêem e interpretam o Evangelho à luz da cultura dos povos em que estão inseridos, permite-lhes lançar apelos e desafios a todos os JSF. De imediato, estes apelos são acolhidos e transformados numa onda de solidariedade, que movimenta todos os grupos, do Norte ao Sul o país. Em concreto, esta onda corporiza-se no pequeno grupo de JSF enviado em nome de todos os outros, tornando esta onda de solidariedade numa onda efectiva de comunhão, força eficaz de transformação e vida, porque conduzida pelo Espírito Santo.

Quem participa nestas actividades, quem tem a alegria de pisar o terreno da missão, quem foi ao encontro dos outros, encontrou igualmente a transformação na sua vida. O regresso de uma ponte traz muitos mais desafios e responsabilidade do que os que se colocaram na partida. Cabe-nos a todos apoiar estas iniciativas, acolher os jovens no seu regresso e ajudar a dar continuidade a acções de solidariedade a que as pontes deram início. 

"Pontes" de Solidariedade JSF

Ponte 1988 Caió, Guiné-Bissau
Ponte 1992 Cabo Verde
Ponte 1994 S. Tomé e Príncipe (Lisboa) e Guiné-Bissau (Braga)
Ponte 1995 S. Tomé e Cabo Verde (Lisboa) e Órgãos, C. Verde (Braga)
Ponte 1996 Malanje, Angola
Ponte 1997 Huambo, Angola
Ponte 1999 Caió, Guiné-Bissau
Ponte 2000 Netia, Moçambique
Ponte 2001 S. Tomé e Príncipe
Ponte 2002 Calheta, Cabo Verde
Ponte 2003 Kalandula, Angola
Ponte 2004 Dembos, Angola e Ribeira Afonso, S. Tomé
Ponte 2005 S. Cristóvão de Cabo Frio, Brasil
Ponte 2006 Huambo, Angola
Ponte 2007 Itoculo, Nacala e Nacucha, Moçambique
Ponte 2008 Chinguar – Bié, Angola
Ponte 2009 Milho Branco - Santiago, Cabo Verde
Ponte 2010 Belo Horizonte, Brasil
Ponte 2011 Kalandula, Angola
Ponte 2012 Órgãos - Santiago, Cabo Verde
Ponte 2013 Itoculo, Moçambique
Ponte 2014 Bissau, Guiné-Bissau
Ponte 2015 Rio de Janeiro, Brasil
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