Os Missionários do Espírito Santo implantaram-se há 150 anos em Portugal com o objetivo de abrir a Igreja portuguesa à evangelização de Angola.

Foi, por isso, particularmente significativa a presença de D. Gabriel Mbilingi, Espiritano, Arcebispo Metropolitano do Lubango, na peregrinação da Família Espiritana a Fátima, em ano jubilar.

No Domingo, presidiu à Eucaristia, no recinto. Partilhamos aqui as palavras da sua homilia.

Homilia de D. Gabriel Mbilingi, Arcebispo do Lubango - Angola

Irmãos e irmãs no Baptismo e no ministério sacerdotal; amados peregrinos vindos de diversas comunidades de Portugal e de vários países, aqui representados e, em especial, a Família Missionária Espiritana de Portugal.

Com o lema geral «Alegres na Esperança» (Rom 12,12), a Província Espiritana da Congregação do Espírito Santo sob a protecção do Imaculado Coração de Maria, em Portugal, está a viver o Jubileu dos 150 anos de Missão e a celebrar os 80 anos da LIAM (Liga Intensificadora da Acção Missionária), um Movimento ao serviço da Missão, que tem como particularidade o ter nascido, precisamente, neste Santuário de Fátima, sob o manto e protecção especial de Nossa Senhora.

Quero manifestar o meu agradecimento ao Pe. Tony Neves, Provincial dos Espiritanos em Portugal, que me convidou a presidir a esta celebração eucarística que acontece há pouco mais de 1 mês depois da visita do Santo Padre o Papa Francisco a Portugal, para a celebração do Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima e que canonizou os pastorinhos Francisco e Jacinta Marto. É grande a emoção que sinto e, sobretudo, a gratidão que me invade a alma! Obrigado, Santo Padre pela visita a Portugal! Muitos parabéns à Igreja Portuguesa que, certamente, saiu dessa visita com um maior dinamismo a ser Igreja missionária! 

No quadro das celebrações jubilares e sob o lema «Com Maria, na Esperança e na Alegria», somos peregrinos e encontramo-nos em Fátima à volta deste “altar do mundo”, para agradecer a Deus pelos dons recebidos e pelas maravilhas que Ele tem realizado no mundo, através da missão confiada à Família missionária Espiritana de Portugal.

A Igreja angolana e, em particular, a Família Espiritana Angolana, de que me faço porta-voz, está presente nesta celebração jubilar não só porque foi por causa de Angola e sob a moção do Espírito que a Congregação se estendeu a Portugal, mas também para fazer memória, honrar e agradecer a Deus pelos missionários espiritanos portugueses que deram a sua vida, alguns de forma dramática, para que a Igreja angolana pudesse crescer na fé, na educação, na saúde, no desenvolvimento integral da pessoa humana. “Angola foi terra de martírio ou morte violenta para muitos missionários espiritanos; sangue de mártires que deve continuar a ser semente de cristãos” (Nota da Conferência Episcopal Portuguesa, Fátima, 10 de Novembro de 2016). 

Venho, pois, agradecer aos missionários e parentes dos missionários/as, aos leigos/as e aos voluntários portugueses que compreenderam que o projecto de salvação que Deus tem para com os homens e o mundo envolve toda a gente e é uma responsabilidade que a todos compromete: uns chamados a estar na “linha da frente” e a desenvolver uma acção mais exclusiva e mais exposta; outros, na retaguarda, com a oração e sacrifícios, a desenvolver uma acção menos exclusiva e mais discreta, mas nem por isso menos importante.

Os da “linha da frente” sentiram-se chamados por Deus a preferir a Cristo deixando a terra, a família, os pontos de referência culturais e sociais, a fim de dedicar a sua vida ao anúncio da Palavra. Melhor, fizeram e fazem da sua vida, como foi a de Cristo, a quem seguem e de quem recebem a vida que os alimenta, uma vida vivida no amor, na partilha, no serviço, no dom total de si a Deus e aos homens por causa de Cristo e do Evangelho (cfr. Evangelho do dia).

Venho, pois, agradecer à Mãe do Céu, a cujo Imaculado Coração os missionários/as Espiritanos se consagraram, e que os tem protegido e acompanhado com a sua ternura. Obrigado, ó Mãe, pelo testemunho dado em todos os contextos da missão pelos missionários de Cláudio Poullart des Places e Francisco Maria-Paulo Libermann.

Tal como aconteceu com a mulher sumita, que ajudou o “homem de Deus”, o profeta Eliseu (1ª leitura), e também segundo a promessa de Jesus (Evangelho), feita em relação a quem acolher os seus enviados/missionários, Deus, fonte de vida e de bênção, não deixa de recompensar todos aqueles que com ele colaboram. A recompensa que esperamos para os que deixaram tudo e seguiram Cristo, tomaram a sua cruz, é a mesma por Ele prometida: onde Eu estiver, estejam também os que Me serviram. Que os missionários falecidos estejam, ó Deus, junto de Vós e recebam o prémio da vida eterna. 

Obrigado, ó Mãe, pelo testemunho dado em todos os contextos da missão pelos missionários de Cláudio Poullart des Places e Francisco Maria-Paulo Libermann.

D. Gabriel Mbilingi

P. John Fogarty (Superior Geral), D. Gabriel Mbilingi e o P. Pierre Pochon (Superior Provincial da Suíça, país de origem do primeiro superior de Portugal) na sessão missionária na tarde de Domingo, no Centro Paulo VI.

“Com Maria, na Esperança e na Alegria”, como Províncias espiritanas da Congregação, juntamo-nos à acção de graças da Província Portuguesa por estes 150 anos de vida e missão em Portugal; também dizemos a toda a Família missionária Espiritana portuguesa, muitos parabéns, coragem e força na missão!  

Como lembrou o Papa Francisco no convite feito para a vivência do Ano da Vida Consagrada (2015/2016), a celebração de um Jubileu visa, essencialmente, três objectivos: olhar com gratidão o passado; viver com paixão o presente; abraçar com esperança o futuro a construir.

Assim, o presente ano jubilar, para a Província portuguesa, está a ser ocasião para reconhecer e agradecer a Deus pela dom da missão, pois, nas origens da Missão está sempre presente a iniciativa e a acção de Deus que, no seu Espírito, chamou os primeiros missionários que lançaram a semente da vida nova no Espírito, semente que produziu os frutos que têm sido colhidos ao longo destes 150 anos, frutos consubstanciados nos seminários dentro e fora de Portugal, nas centenas de missionários enviados a evangelizar pelo mundo, nos milhares de leigos que se deixaram contagiar e entusiasmar pela missão ad gentes, nas muitas iniciativas de solidariedade e comunhão, sobretudo de opção pelos pobres e apoio aos migrantes e refugiados (cfr. Nota da Conferência Episcopal Portuguesa). 

Como lembrou o Papa Francisco... a celebração de um Jubileu visa, essencialmente, três objectivos: olhar com gratidão o passado; viver com paixão o presente; abraçar com esperança o futuro a construir.

D. Gabriel Mbilingi

Na sessão missionária, os vários movimentos da Família Espiritana fizeram uma viagem pelos cinco continentes, onde trabalham os missionários do Espírito Santo. Para o continente europeu, os Jovens Sem Fronteiras animaram a assembleia com uma dança bem portuguesa.

O ano jubilar está a servir para repassar a história da missão espiritana em Portugal e no mundo para onde foram enviados os missionários, recordar os inícios, repercorrer o caminho de quantos nasceram e foram enviados em missão por esta Província, captar os ideais, os projectos, os valores que os moveram, as dificuldades que tiveram de enfrentar e como as superaram, a fim de manter viva a identidade espiritana, robustecer a unidade e o sentido de pertença dos seus membros na Igreja de Cristo.

Esta lembrança agradecida do passado vai impelir toda a Família Espiritana portuguesa a implementar, de maneira cada vez mais profunda, os aspectos que tornem, hoje, as suas comunidades, associações, movimentos e grupos que vivem da espiritualidade da Congregação, verdadeiros centros de vivência e de irradiação da “alegria do Evangelho”. A lembrança agradecida do passado ajudará os seus membros a viver com paixão o presente, procurando, criativamente, ser fiéis à missão que o Senhor confiou aos primeiros missionários.

A celebração jubilar dos 150 anos permitirá, então, abraçar com “Esperança e Alegria” o futuro do instituto apesar da consciência que temos das dificuldades, das dores e sofrimentos, isto é, da cruz, por que terá de passar ainda a Missão; uma esperança e uma alegria que são fruto da fé no Senhor da história que continua a repetir-nos: «Não tenhas medo (…), pois Eu estou contigo» (Jer 1,8). É esta esperança que não desilude e permite avançar com coragem, impelidos pelo Espírito e sustentados pelo “Sim” de Maria, a fim de que Deus continue, por nosso intermédio, a levar avante a sua obra, a oferecer a salvação, a realizar no mundo as suas maravilhas, como o tem feito ao longo destes 150 anos.

Para a Província Portuguesa, o jubileu está, certamente, a ser um ano para fazer balanço da caminhada e acertar o passo, colocar-se em sintonia com o projecto de Deus, um projecto de amor misericordioso, e repartir com novas energias para percorrer os caminhos da Missão “com Maria, na Esperança e na Alegria”. 

É esta esperança que não desilude e permite avançar com coragem, impelidos pelo Espírito e sustentados pelo “Sim” de Maria, a fim de que Deus continue, por nosso intermédio, a levar avante a sua obra, a oferecer a salvação, a realizar no mundo as suas maravilhas, como o tem feito ao longo destes 150 anos

D. Gabriel Mbilingi

Religiosas Timorenses partilharam uma dança da sua terra.

À semelhança de outros anos, também este ano, 2017, o ano do Centenário das Aparições, a Família missionária Espiritana portuguesa está em Fátima para se abrigar sob o manto de luz de Nossa Senhora, Mãe de Jesus e nossa Mãe, como há 80 anos por ocasião do nascimento da LIAM.

Amados peregrinos, ressoam ainda aos nossos ouvidos as palavras do peregrino especial do Centenário das Aparições, o Papa Francisco: “Sejamos no mundo sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus e descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor”.

Unidos à volta da missão da Igreja, segundo o estilo de vida missionária espiritana, queremos, “com Maria, na Esperança e na Alegria”, renovar, no Espírito Santo, a nossa consagração a Deus e à missão; fortalecer (firmes na fé) a nossa fé; reavivar o nosso entusiasmo e, sobretudo, o nosso compromisso por mais justiça, paz, amor e alegria, valores do Reino de Deus que se torna urgente viver com coerência e intensidade, como nos apelou a fazer, neste santuário, o Papa Francisco.

“Com Maria, na Esperança e na Alegria” queremos reacender a nossa esperança (alegres na esperança) e viver mais unidos num “só coração e numa só alma” a missão que nos é confiada por Deus na Igreja e no mundo, hoje.

A missão espiritana, como a de toda a Igreja de Cristo, nascida no Pentecostes, é chamada a cobrir todos os continentes, culturas, povos e línguas. Por isso, irmãos e irmãs, com todos os baptizados “enxertados” em Cristo, vamos, como nos pediu o Papa Francisco, percorrer “todas as rotas, seremos peregrinos de todos os caminhos, derrubaremos todos os muros e venceremos todas as fronteiras, saindo em direcção de todas as periferias, aí revelando a justiça e a paz de Deus”.

Irmãos e irmãs, peçamos a Maria, Mãe do Rosário de Fátima, Estrela da evangelização e Mãe dos discípulos-missionários, e aos santos São Francisco e Santa Jacinta Marto: rogai por nós, peregrinos nesta vida para a casa do Pai; rogai pelas crianças e adolescentes do mundo inteiro; rogai pelos jovens empenhados nas várias actividades pastorais; rogai sobretudo pelos jovens chamados à vida consagrada e ao ministério sacerdotal; rogai pelas famílias do mundo inteiro; rogai pela LIAM e outros movimentos ligados à espiritualidade da missão espiritana; rogai por toda a Família missionária Espiritana em Portugal e no mundo! Assim seja!

D. Gabriel Mbilingi

 

Sejamos no mundo sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus e descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor

Papa Francisco