"Vosso é o reino..."

Festa de Cristo Rei. Não é fácil a ninguém reconhecer esta realeza de Cristo. No cenário do calvário, só um dos ladrões conseguiu intuí-la! E porquê? Porque não é ao nosso jeito, nem ao nosso gosto!

Festa de Cristo, Rei do Universo

Terminar o ano litúrgico com a Solenidade de “Cristo, Rei do Universo”, significa proclamar não apenas o triunfo definitivo de Cristo, mas também reconhecer que a realeza Lhe pertence por direito próprio e não por delegação ou por concessão. É o que repetimos em cada Eucaristia: "Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre!"

Neste sentido, a realeza de David, evocada no texto do livro segundo de Samuel, fica muito aquém, não passando de uma pálida figura da realeza de Cristo.

Esta é proclamada por Paulo na sua Carta aos Colossenses, quando reconhece que "todas as coisas, no céu e na terra, visíveis e invisíveis" foram criadas por Ele e é n’Ele que tudo subsiste, pois aprouve a Deus que "n’Ele residisse toda a plenitude". Reconhecer esta realeza não é rebaixar-se, bem pelo contrário, pois é n’Ele e só n’Ele que temos a redenção, o perdão dos pecados.

Apesar disso, não é fácil a ninguém reconhecer esta realeza de Cristo. No cenário do calvário, só um dos ladrões conseguiu intuí-la! E porquê? Porque não é ao nosso jeito, nem ao nosso gosto! Os chefes dos Judeus queriam uma demonstração espetacular. Por sua vez, o outro ladrão só queria tirar proveito dela, para escapar ao suplício a que estava a ser sujeito.

Nos tempos de hoje, é o forte desejo de autonomia, de independência e de autodeterminação, que mais dificulta a aceitação da realeza de Cristo: o homem de hoje quer ser senhor da sua vida e do seu destino e o critério único da sua moralidade. Como aceitar, então, uma realeza, cujo trono é a cruz e a sua coroa tecida de espinhos, em que "reinar é servir"?

Que significado tem para cada um e cada uma de nós a realeza de Cristo? Aceitamo-la, assumimo-la e proclamamo-la com a nossa vida, a nossa maneira de ser e de estar e de nos relacionarmos com os outros ou sujeitamo-nos a ela? Procuramo-la ativamente, porque por ela e nela também nós somos verdadeiramente reis, ou trata-se de algo que “nem aquece nem arrefece”?

Assim sendo, celebrar esta festa de Cristo é também empenhar-se em que o seu reinado cresça em cada um de nós e à nossa volta, resistindo a todo o género de idolatrias tiranizantes a que estamos constantemente expostos. Esta será a melhor forma de proclamar que Ele é mesmo o nosso Rei!

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