Ver para crer ou crer para ver?

Em vez de exclusão (ver para crer ou crer para ver), a verdadeira resposta é inclusiva: crer para ver e ver para (melhor) crer!

Aparição a Tomé (Vie de Jésus Mafa)

2º Domingo do Tempo pascal

Se nos ativermos apenas ao texto deste domingo, que dá um grande relevo à resistência de Tomé em acreditar no testemunho unânime dos companheiros – “vimos o Senhor”, a resposta é bem evidente e vem dos lábios do próprio Cristo: “bem-aventurados os que não viram e, contudo, acreditaram”. Todavia a nossa inclinação continua a atrair-nos para S. Tomé: como ele, preferimos ver para crer!

A temática da fé é uma das traves mestras do 4º evangelho, bem presente desde o seu prólogo (“aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de tornarem filhos de Deus”). Continua no episódio de Caná, que termina com a afirmação: [Jesus] “manifestou a sua glória e os seus discípulos creram nele”. A Nicodemos Cristo afirma categoricamente: “é preciso nascer de novo”. Por sua vez, o diálogo com a samaritana conclui desta forma: “nós mesmos O ouvimos e sabemos que Ele é verdadeiramente o Salvador do mundo”. Na multiplicação dos pães, “à vista do sinal que Ele acabava de operar, esses homens disseram: Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo” e os apóstolos, pela boca de Pedro, no fim do discurso eucarístico, confessam: “Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos e conhecemos que és o Santo de Deus”. O mesmo sucede no episódio da cura do cego de nascença e na ‘ressurreição’ de Lázaro, onde Jesus diz a Marta: “Eu não te disse que, se acreditares, verás a glória de Deus?

É bem siginificativa, pois, a conclusão do evangelista: “Jesus operou ante os olhos dos seus discípulos muitos sinais que não estão consignados neste livro. Estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Filho de Deus e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo.20,30-31).

Mas, a verdade é que, para ver, é preciso crer, pois muitos outros presenciaram as ações e milagres de Jesus e, apesar disso, não acreditaram n’Ele. Por isso, não são os milagres que dão a fé – é esta que permite ver os milagres! E estes - que se repetem a todo o momento na vida de cada um de nós e à nossa volta - uma vez vistos, fortalecem a nossa fé e ajudam a tornarmo-nos verdadeiramente discípulos de Jesus e suas testemunhas credíveis, abraçando um estilo de vida semelhante ao da primeira comunidade de Jerusalém, que S. Lucas admiravelmente pintou no texto da primeira leitura.

Por isso, em vez de exclusão (ver para crer ou crer para ver), a verdadeira resposta é inclusiva: crer para ver e ver para (melhor) crer! 

E é nesta dinâmica que melhor se insere a MISERICÓRDIA, hoje celebrada: ela será a melhor expressão da nossa fé, que, assim, tornará mais credível o nosso anúncio da ressurreição do Senhor!

Últimas

Novena do Pentecostes

Com o tema "O Espírito Santo Presente e Ativo nas Famílias", os espiritanos no Vietname prepararam...

Fátima, o silêncio

E um indizível silêncio abateu-se sobre o recinto, ocupou todo o espaço, preencheu cada alma. E...

Peregrino da paz

O Papa Francisco visitou Fátima como peregrino da esperança e da paz. O que ele disse vai continuar...