Um país mais próspero, democrático e justo

Apelos e reflexões dos bispos de Angola, na Mensagem Pastoral sobre as Eleições que se aproximam.

Os Bispos de Angola publicaram, a 30 de Março, uma Mensagem Pastoral sobre as Eleições. Angola vive tempos importantes pois aproximam-se as eleições que irão substituir o Presidente das últimas décadas. É um tempo de passagem de testemunho, com muitas luzes e sombras na linha do horizonte. Cito os Bispos: ‘continuamos a sonhar com um País próspero, democrático, sem corrupção, socialmente justo e economicamente sustentável. (…) Angola precisa que quem governa seja competente e governe para todos e não apenas para aqueles que o elegeram e, pior ainda, para uma elite de privilegiados. Precisa igualmente de uma oposição forte que “obrigue” quem governa a dar o melhor de si em prol do bem de todos.

Dizem mais adiante: ‘os verdadeiros políticos são aqueles que buscam, antes de tudo, o Bem-Comum do seu povo, concretamente desta nossa Grande Família chamada Angola. Este é, e deve ser, o selo de autenticidade dos governantes, no presente e no futuro, e constitui condição essencial do desenvolvimento do nosso País’. 

Sobre o sentir do Povo, partilham os Bispos: ‘Há muitas pessoas, principalmente entre as mais vulneráveis, que se sentem defraudadas pela incoerência entre o conteúdo dos programas políticos escolhidos em eleições anteriores e uma prática política que muitas vezes os ignora, favorecendo quem tem influência política e poder económico ou militar’.

Os Bispos recordam: ‘Os responsáveis políticos e partidários devem assegurar a máxima transparência de todas as fases do processo eleitoral para que decorra de forma pacífica e a sua credibilidade não seja colocada em questão’. 

Há regras a não esquecer: ‘A Igreja Católica não se identifica com nenhum sistema político nem endossa algum candidato. A igreja encoraja e exorta todos os cidadãos a exercer o seu direito e dever de voto’. 

Os Bispos lamentam: ‘Os órgãos de Comunicação Social, sobretudo os estatais, têm sido excessivamente unilaterais e tendenciosos. Para a sua credibilidade, devem desempenhar o seu papel, extremamente importante, ao longo de todo o processo eleitoral, com rigor e isenção, garantindo o acesso à informação sobre os diferentes candidatos e programas políticos; noticiando com verdade e imparcialidade’. 

Os Bispos terminam com ‘uma palavra de apreço e reconhecimento a todos os cristãos que, num contexto tão complexo como o nosso, continuam a dar testemunho da sua fé, a participar, de forma séria e honesta, na vida partidária e a exercer o poder político como uma missão em vista à edificação do bem comum’.

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