Ternura e Misericórdia de Deus

17. A história do Beato Daniel Brottier, contada pelo P. Agostinho Tavares.

O P. Daniel Brottier dirige a obra de Auteuil apoiado na divina Providência:  manifestação do amor misericordioso de Deus que acontece amiúde por meio de Teresa de Lisieux, como ele próprio escreveu com palavras inusitadas: «Neste preciso momento em que o socorro humano parecia comprometido, a Providência estendeu a sua mão salvadora: A Providência chama-se Teresa do Menino Jesus».

A admiração que o P. Brottier nutre pela santa de Lisieux é enorme, como o prezado leitor poderá comprovar por estas palavras que sobre ela escreveu:

«Parece-me que ela [Teresa do Menino Jesus] recebeu uma vocação sublime, divina, que foi a porta-voz do Senhor, que foi investida por Deus de uma missão doutrinal inteiramente adaptada à nossa época. Ela disse-o, aliás, francamente: "Sinto que a minha missão vai começar: dar a minha pequena via às almas". Aos nossos contemporâneos cheios de orgulho, de independência, de espírito de lucro, e, por outro lado, tão frequentemente perto do desânimo e do desespero, ela propõe um caminho seguro e direto: a simplicidade, a humildade da infância, a confiança total em Deus, o amor filial a Deus. E Deus deu a esta criança, falecida aos 24 anos no Carmelo, desconhecida de todos, um poder apostólico incrível. Mais de dez milhões de exemplares da "História de uma alma" foram imprimidos e traduzidos em todas as línguas. Que escritor, que académico pode vangloriar-se de um tal sucesso editorial? Não é isto a prova de que o dedo de Deus está aqui?... Que santo, pergunto-vos, ousou dizer ou escrever isto: "O mundo inteiro me amará… Deus far-me-á todas as vontades no céu, porque nunca fiz a minha na terra. Vereis que depois da minha morte será como uma chuva de rosas. Sim, farei cair uma chuva de rosas… Passarei o Céu a fazer o bem. Não poderei descansar até ao fim do mundo, enquanto houver gente para salvar…».

A ternura e a misericórdia de Deus descem sobre os órfãos que o P. Daniel Brottier acolhe na obra de Auteuil, como uma chuva de rosas que S. Teresinha não cessa de fazer cair sobre eles. O P. Brottier tem clara consciência disso. Mas ele próprio, porque não busca senão a glória de Deus, irradia a infinita ternura de Deus sobre aqueles adolescentes que a provação atingiu duramente, aqueles adolescentes e crianças que não são amados e de quem ninguém quer saber. Ele é um Pai solícito e bondoso, que de todos cuida e que a todos serve com ternura e amor, milagrosamente secundado pela santa de Liseux.

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