Ser Missionário

A nossa caminhada de missionários começa assim, por deixar que os pequenos acontecimentos nos afetem, fugir desta cultura da indiferença que o Santo Padre tanto nos fala.

Querido Pai, eu te louvo neste mês missionário pelas experiências que vivemos nos passados meses de verão. Obrigada por nos fazeres entender as palavras de D. Manuel Clemente: “nós não levamos Jesus, Ele já está no meio do Povo”. Pela nossa atenção, o nosso carinho, a nossa escuta, nós O fazemos presente.

Ao regressar à rotina do dia-a-dia sentimos que estamos mais enriquecidos, embora mais despojados, desapegados. Recordamos caras diferentes (de todas as idades), culturas diferentes, e até regionalismos que nunca tínhamos escutado! 

Vamos crescendo à medida que nos lembramos o quanto fomos capazes de nos superar para chegar mais longe, atingindo profundamente aqueles com quem contatamos. Sim, porque as lágrimas na despedida mostra que deixamos a nossa marca e que as pessoas gostariam de continuar a conviver connosco. De alguma maneira tocamos o seu coração. 

Missionário é aquele que parte dando mais vida e “Vida em abundância” (Jo 10, 10). Acredito que foi o que trouxemos àqueles com quem nos cruzamos, aqueles que decidiram deixar o seu “sofá”, as suas “play stations”, os seus amigos virtuais, para entrar na aventura de ter umas férias fora do normal, de conhecer pessoas com muita paixão e zelo missionário. 

A nossa caminhada de missionários começa assim, por deixar que os pequenos acontecimentos nos afetem, fugir desta cultura da indiferença que o Santo Padre tanto nos fala, deixar-nos envolver sem exigir nem pedir nada em troca porque sabemos que tu, Pai, que vês no segredo nos darás a recompensa (Mt 6, 1-6). Nunca nos devemos arrepender de fazer o bem, devemos é nos arrepender do bem que podíamos ter feito, que passa muitas vezes pelos atos mais simples como lembrar alguém o quanto ele é importante, visitar a pessoa doente que só quer esquecer da sua dor, acolher o desabafo de alguém magoado com a vida, dar atenção àquele que ninguém quer ver.

É quando damos tudo, que conseguimos reconhecer o que fazes através de nós, o “tesouro em vasos de argila”. Passamos a ser instrumentos da Tua paz, da Tua justiça, da Tua fraternidade, da Tua alegria. Ao viver esta descoberta do potencial que temos em nós o nosso interior nos chama a dar mais, como se lê em S. Lucas: “Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda”. Será que estamos prontos a dar mais? A incendiar os corações daqueles que nos rodeiam? Porque se eu não falar quem falará? Falar do que habita o meu coração e me faz feliz, me faz sorrir. 

 Ó Maria, rainha das Missões, dai-nos muitos e santos missionários.

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