"Sê um padre alegre e feliz!"

"revestido da alegria sacerdotal, que é uma alegria missionária, sê um padre alegre e feliz, atraindo a todos para Cristo" - pediu D. Joaquim Mendes ao Espiritano António Mosso, na homilia da sua ordenação sacerdotal, que aqui publicamos.

Ordenação do P. António Mosso: Homilia de D. Joaquim Mendes (Foto: Gabriel Fernandes)

1. Saúdo o Senhor Padre Provincial da Congregação dos Missionários do Espirito Santo; o Senhor Prior; os Senhores Padres, Diáconos, Irmãos  e Membros da Família Espiritana.

Saúdo o Diácono António que vai ser ordenado presbítero, assim como os seus pais, irmãos, familiares e amigos;

Saúdo a Comunidade cristã, que celebra a sua Padroeira, Nossa Senhora da Consolação, e a celebra da melhor maneira, com a ordenação presbiteral de um dos seus membros.

A ordenação presbiteral do Diácono António é um grande dom para a Congregação dos Missionários do Espirito Santo, que está a celebrar 150 anos da sua presença em Portugal e para a Igreja neste tempo em que a seara continua a ser grande e os trabalhadores continuam a ser poucos.

Agradecemos ao Dono da seara este «trabalhador» que hoje Ele consagra e envia para o vasto campo das missões, e intensificamos a nossa oração pelas vocações à vida religiosa e ao sacerdócio. 

Acolhemos, agradecemos e acompanhemos com a nossa oração este este nosso irmão que vai ser ordenado presbítero, para que o Senhor através dele, continue a revelar-se aos «pequeninos».

 

2. No Evangelho que escutamos Jesus dá graças ao Pai, porque, por meio dele, o primeiro dos «pequeninos», se revela aos simples, aos humildes e se esconde aos sábios e aos inteligentes, àqueles que julgam saber tudo.

São os «pequeninos», as pessoas simples, de coração aberto, que Deus escolheu como destinatários da sua revelação, e que fazem Jesus exultar de alegria e bendizer o Pai, Senhor do Céu e da terra.

Jesus, na sua humildade e abaixamento, só pode ser compreendido pelos humildes, pelos simples, porque só estes são capazes de captar os seus sentimentos e abrir o coração à sua mensagem.

 

3. Os «pequeninos» são os «pobres» das Bem-aventuranças de quem Jesus diz que é deles o Reino dos Céus; são aqueles que confiam em Deus como uma criança confia na sua mãe; são aqueles que acolhem com simplicidade de coração o Evangelho e o vivem, como «um jugo suave e uma carga leve».

Os «pequeninos» são aqueles que, conscientes da sua pequenez, dos seus limites e fragilidades, sentem necessidade de Deus, O procuram, se confiam a Ele, se abandonam nas suas mãos.

Só estes são capazes de acolher Jesus e o Evangelho e segui-lo, tomando o seu «jugo», assumindo o seu estilo de vida, o seu modo de ser, de estar, de servir e de amar e experimentam que, na verdade, o seu «jugo é suave» e a sua «carga é leve».

Jesus, «manso e humilde de coração» convida-nos a metermo-nos na sua escola, a aprender dele para sermos discípulos alegres e felizes,  nele encontraremos conforto e alivio para as nossas almas, nele encontraremos a paz.

 

4. Caríssimo Diácono António,

Foste escolhido entre «os pequeninos» discípulos do Senhor, para exerceres publicamente na Igreja e em nome de Jesus o ofício sacerdotal a favor do povo santo de Deus.

Em ti e através de ti, Jesus continua a sua pessoal missão de mestre, sacerdote e pastor. Mas recorda-te que para seres mestre, terás de continuar a ser humilde discípulo que quotidianamente escuta, medita a reza a Palavra, para depois a transmitires fielmente.

Assim como Jesus nos transmitiu aquilo que ouviu do Pai, afirmando: “a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou” (Jo 7,16), assim nós devemos transmitir o que ouvimos de Jesus.  Não a nossa doutrina, mas a doutrina de Jesus, com aquela mesma fidelidade que Jesus transmitiu a doutrina que ouviu do Pai.

O Senhor chamou-te, confiaste-lhe a tua vida e Ele confia-te o Evangelho para o transmitires fielmente.

Através do teu ministério sacerdotal, Jesus continua a sua obra santificadora, “o sacrifício espiritual dos fiéis tornar-se perfeito, porque unido ao sacrifício de Cristo, que pelas tuas mãos é oferecido sobre o altar na celebração dos santos mistérios”.

És chamado cada dia a conformar a tua vida com o mistério da cruz do Senhor, a fazer dela, com Cristo, um dom ao Pai para a vida do mundo, a morrer para ti mesmo, para viveres para o Senhor, numa vida doada, entregue, totalmente dedicada à missão que te for confiada.

Escolhido entre os homens e constituído em seu favor para estares ao serviço das coisas de Deus, exercita com júbilo e caridade sincera a obra espiritual de Cristo, procurando unicamente agradar a Deus e não a ti mesmo.

Tem sempre diante de ti o exemplo de Cristo Bom Pastor, que não veio para ser servido, mas para servir, e procurar e salvar o que estava perdido.

Está no meio do povo do Senhor como «quem serve». Ama o povo com o coração de Cristo Pastor, com um coração compassivo e misericordioso, cura as suas feridas com o bálsamo da misericórdia, sê bom dispensador dos dons de Deus.

Sê sacramento da presença de Cristo único e sumo pastor, serve, prolonga na vida a Eucaristia que celebras.

Vive em conformidade com Cristo, radicado nele, para seres pastor segundo o seu coração.

Não vivas para ti mesmo, mas para o Senhor e para aqueles a quem Ele te envia.

Não tenhas medo de «perder a vida» por Jesus e pelo Evangelho, como tantos dos teus confrades missionários, porque só assim a poderás reaver plenificada em Cristo ressuscitado.

 

5. A consciência de que não fomos nós que escolhemos ser padres, ou bispos, mas foi o Senhor que nos escolheu (cf. Jo15,16), não pelas nossas capacidades ou nossos méritos, mas simplesmente porque nos amou; e a consciência de que tudo em nós é dom gratuito de Deus, faz com nos sintamos humildes servos, como Maria Santíssima, e vivamos na dependência absoluta de Deus, dando-lhe espaço para que Ele realize em nós a sua obra e a leve a bom termo.

Deixemos que o seu Espirito atue em nós, na nossa vida, e no nosso ministério, para que ele seja expressão viva da caridade de Cristo Bom Pastor, seja serviço e não poder.

A desproporção entre o dom recebido e a nossa pequenez leva-nos a viver em ação de graças e a cuidar do tesouro que trazemos em «barro de barro», para o podermos transmitir oportuna e fielmente; leva-nos a cultivar a intimidade com o Senhor na oração, na contemplação e na ação, a viver nele, por Ele e para Ele; leva-nos a reconhecê-lo, a amá-lo e a servi-lo em cada um dos irmãos, sobretudo nos mais débeis, a ser para todos sinais e portadores do amor e da solicitude de Cristo Bom Pastor.

Radicado no amor do Pai e com o coração cheio do amor de Cristo Bom Pastor, revestido da alegria sacerdotal, que é uma alegria missionária, sê um padre alegre e feliz, atraindo a todos para Cristo. 

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