Sal ou açúcar?

Continua bem atual a censura feita por Paul Claudel: "O Evangelho é sal, mas vós tornaste-lo açúcar"!

5º Domingo do Tempo Comum

As imagens do sal e da luz, a que Jesus no seu ensinamento recorre, hoje perderam muito da sua força simbólica. Com efeito, o sal já não serve para conservar as carnes, e, como tempero para dar sabor às comidas, recomenda-se a sua redução para doses mínimas ou nulas, por causa dos seus efeitos nocivos para a tensão arterial. E a tudo isto acresce o nosso adágio: “a religião deve ser como o sal na comida: nem de mais, nem de menos”!

No entanto, este contexto desfavorável não impede o acesso à mensagem perene que Jesus nos quer transmitir e que, em si, resume muito bem a razão da nossa existência como cristãos: o nosso mundo de hoje precisa urgentemente de sal cristão - com qualidade e em abundância - e da luz cristã, que dissipe a escuridão da desorientação, do desencanto e do pessimismo, que retiram à vida de muitos contemporâneos a alegria e a esperança, o sentido da própria existência.

E os remédios que o mundo oferece já há muito declararam a sua falência, a sua incapacidade para substituir o único sal que pode restituir sabor à vida dos humanos e a única luz que pode reacender a esperança e restituir a alegria à sua existência.

Reconheçamos que o aparente desinteresse do mundo de hoje pela mensagem cristã, tem muito mais a ver com a fraqueza do nosso sal e a tibieza da nossa luz do que com a rejeição do cristianismo. Na verdade, a verdadeira causa da indiferença em que caiu a maioria dos nossos contemporâneos tem muito a ver com um cristianismo sem Cristo e sem Igreja, uma religião sem fé, um culto sem celebração, uma fé tépida, cinzenta e sem paladar, uma luz muito esbatida e, mesmo essas, quantas vezes escondida sob o alqueire.

Apareçam cristãos e comunidades cristãs verdadeiramente vigorosas, criativas e solidariamente comprometidas na resolução dos problemas que afligem tantos irmãos nossos e veremos se o mundo repara em nós ou não!

Só que, para isso, temos de reforçar a qualidade do nosso sal e intensificar o brilho da nossa luz pela intimidade e comunhão profunda com Aquele que foi enviado pelo Pai para ser “o caminho, a verdade e a vida”, “a luz das nações”. Na verdade, o Senhor e o mundo exigem que não nos limitemos a ser bons ‘praticantes’, mas que sejamos fator decisivo para a resolução dos problemas, para a melhoria das situações! 

Continua bem atual a censura feita por Paul Claudel:  “O Evangelho é sal, mas vós tornaste-lo açúcar” !

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