Recomeço e começo

Desde o primeiro dia de Advento, nós vamos “preparando o Natal”, não ao som e ao ritmo da propaganda comercial, mas na companhia e sob a orientação de Isaías, de João Baptista, de José e de Maria, para chegarmos ao verdadeiro presépio, onde Cristo se deixa encontrar, pois Ele veio montar a sua tenda no acampamento dos homens.

1º Domingo do Advento

S. Paulo, ao recordar-nos: “Vós sabeis em que tempo estamos”, não está seguramente a referir-se ao tempo que relógios e cronómetros ou calendários nos indicam constantemente. Ao contrário, com esta afirmação, o Apóstolo pretende recordar-nos que não podemos viver como os contemporâneos de Noé, que “não deram por nada” e, por isso, continuavam comendo e bebendo, casando e dando em casamento, enquanto Noé se ia preparando para um futuro diferente. Por isso, o dilúvio apanhou-os desprevenidos e “a todos levou”, menos a Noé e sua família.

Portanto, S. Paulo quer que adotemos a atitude de vigilância, recomendada por Cristo, para que estejamos ‘preparados’ para quando vier “o Filho do homem”. Com a imagem do dia e da noite, o mesmo Apóstolo nos convida a vivermos como filhos da luz, “porque a salvação está agora mais perto de nós”.

De facto, o tempo, para o cristão, não é uma repetição constante e enfadonha, a reclamar sensações novas e cada vez mais intensas, para vencermos o tédio do dia-a-dia, mas um constante avançar em direção a uma meta, a apontada pelo profeta Isaías: “o monte do templo do Senhor se há-de erguer no cimo das montanhas”, pois “de Sião há-de vir a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor”. Assim, o novo ano litúrgico hoje iniciado não pode ser encarado como mero, enfadonho e repetitivo recomeço, mas como verdadeiro começo de uma nova etapa desta nossa caminhada para essa meta.

E, se o tempo em que “as espadas se converterão em relhas de arado” e das “lanças se forjarão foices”, aparece cada vez mais como utopia inútil, para nós cristãos isso é uma certeza que nos vem da Incarnação de Cristo, o Príncipe da Paz.

Perante a generalizada descrença em que o nosso País mergulhou, é urgente quem viva, testemunhe e fale da esperança. Não de uma esperança fatalista ou sonhadora, segundo a qual tudo acontecerá por acaso ou por encanto, mas da esperança cristã, assente na incarnação e ressurreição de Cristo, que nos leva a remar contra a corrente e nos torna capazes de demonstrar que é possível transformar as espadas em tratores e as lanças em instrumentos de produção! E quantas ‘novas oportunidades’ nos abre este tempo de crise! Por isso, ao convite “vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor”, respondemos nós: “vamos com alegria para a casa do Senhor”!

Por isso, desde o primeiro dia de Advento, nós vamos “preparando o Natal”, não ao som e ao ritmo da propaganda comercial, mas na companhia e sob a orientação de Isaías, de João Baptista, de José e de Maria, para chegarmos ao verdadeiro presépio, onde Cristo se deixa encontrar, pois Ele veio montar a sua tenda no acampamento dos homens.  

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