Pentecostes jubilar em Braga

Em Ano Jubilar dos 150 anos de presença em Portugal, os Espiritanos no norte do país também celebraram o Pentecostes de forma solene, em comunhão com a Igreja local, muitos amigos e membros da família espiritana. O local escolhido, foi o Seminário de Nossa Senhora da Conceição, a uns escassos 500 metros do antigo Colégio do Espírito Santo - aquela que é considerara a "Casa Mãe" dos Espiritanos em Portugal. Confiscado na revolução de 1910, o edifício funciona agora como a Escola Secudária Sá de Miranda.

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Foi no dia de Pentecostes de 1703 que a Congregação do Espírito Santo nasceu em Paris, tendo como cabouqueiro o jovem bretão, Cláudio Poullart des Places. Os Espiritanos completaram assim 314 anos de existência. Mas este foi um Pentecostes Jubilar para a Família Espiritana, pois fizemos desse dia um momento particularmente marcante do Jubileu dos 150 anos de presença em Portugal.

A opção foi termos dois polos celebrativos, um em Braga e outro em Lisboa, com um programa comemorativo que valorizasse a dimensão de memória agradecida mas também o relançamento da missão, ancorados na alegria e na esperança.

No Norte a opção por Braga - a cerimónia aconteceu no Seminário diocesano de Nossa Senhora da Conceição - teve que ver com o facto de a cidade e diocese, nos ser particularmente grata porque foi aqui que se nos abriram as portas para lançar raízes consistentes como Congregação missionária. O Colégio do Espírito Santo, hoje liceu Sá de Miranda, construído de raíz pelos Espiritanos, foi, a partir de 1872, um marco na promoção de muitas gerações de jovens estudantes. Algumas das mais insignes figuras não só desta cidade mas de todo o país, nele receberam a sua formação de base. Depois de 1920, o seminário do Fraião ficou a ser o berço que uniu indelevelmente cada um dos Espiritanos - e praticamente todos por ali passaram - a esta cidade.

No início da sessão comemorativa foi-nos recordado que celebrar uma data jubilar não é um exercício de arqueologia mas antes entrar na onda a que S. João Paulo II, há anos atrás, convidava os Institutos religiosos a entrar: “Vós não tendes apenas uma história gloriosa para recordar e narrar, mas uma grande história a construir. Olhai o futuro, para o qual vos projeta o Espirito a fim de realizar convosco ainda grandes coisas” .

 Embalados pela herança dos nossos fundadores e dos espiritanos portugueses que nos precederam, vivemos uma tarde de Pentecostes Jubilar particularmente densa e serena, alegre e inspiradora.

Video «150 anos dos Espiritanos em Portugal - Memória e promessa»

Uma apresentação audio-visual fez-nos revisitar o essencial do nosso carisma espiritano: atenção aos pobres, a todas as pessoas socialmente necessitadas ou desfavorecidas, e o serviço missionário, ou seja, o anúncio da Boa Nova de Cristo a todos os homens, de modo particular àqueles que ainda não acolheram a mensagem do Evangelho.

«Alegres na Esperança: Cento e cinquenta anos a interpretar a identidade espiritana»

Este foi o título da conferência proferida pelo P. Pedro Fernandes, que começou por dizer que o objetivo da sua intervenção era fornecer algumas pistas que ajudem a perceber como as vicissitudes da história construída pelos espiritanos ao longo deste século e meio foram uma interpretação da história espiritana que, nas suas fidelidades e infidelidades, nos ajuda a construir o nosso futuro missionário. Num primeiro momento fomos convidados a constatar como instabilidade e indefinição são a gramática de uma fundação espiritana. Numa revisita aos grandes traços do projeto espiritano português podemos destacar: ao serviço da Missão Ad gentes; compromisso com os jovens; abertura aos leigos; inserção na Igreja local; contribuição à cultura e à ciência: busca de excelência; opção pelos mais pobres e simplicidade de estilo relacional. Mas a nossa história é também tecida de infidelidades e fracassos que funcionam como lugar de aprendizagem. A releitura da nossa história faz-nos comprometer-nos, alegres na esperança, na construção do futuro coerente com um passado de fidelidade missionária. Para isso, o conferencista apontou-nos umas tantas pistas: autenticidade espiritual e carismática, investimento na missão ad gentes, partilha do carisma espiritano, opção pelos mais pobres, partilha da missão com os leigos e internacionalização. A intervenção terminou com um tom de jubilosa inspiração: “podemo-nos afirmar “alegres na esperança”, uma alegria que brota do Evangelho e uma esperança que se alicerça em Cristo que nos precede e nos envia”.

Concerto: uma viagem entre os dons do Espírito Santo.

Um momento de especial elevação artística foi a intervenção do «Coro dos Pequenos Cantores de Esposende» (CPCE) que cantou e encantou. Surgido em 2009, o CPCE é fruto de uma parceria entre a Escola de Música de Esposende e a Câmara Municipal Esposende. Percorrendo a universalidade da fé, congregada e abraçada por uma só linguagem, a musical, o Coro de Pequenos Cantores de Esposende apresentou, numa linguagem etérea as sonoridades das diversas línguas. Uma viagem por diversos países, que inicia centrada na figura de Maria e parte para um abraço ecuménico, proclamando a mesma fé e a mesma alegria. O reportório foi cuidadosamente selecionado: 1-Ave Maria de G. Caccini; 2-“La Nanita Nana”, trad. Espanha; 3-Songs of Sanctuary de Karl Jenkins; 4-Cantique Jean Racine de G. Fauré; 5- “Ghana Alleluia”, trad. Ghana; 6- Rejoice, clap your hands de Andry Beck.

Eucaristia de Pentecostes Jubilar

A riqueza da liturgia do Pentecostes, a ambientação missionária do espaço litúrgico, a cuidada execução musical, a cargo do coral de Ruílhe e do grupo “Família Missionária”, que envolveu toda a assembleia, contribuíram para uma bem vivida experiência de fé. O Sr. D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga, na apreciada homilia, depois de sublinhar a necessidade de vocações missionárias «nesta cultura da indiferença e do fundamentalismo» deixou um duplo apelo: “É preciso uma nova consciência missionária gerada por todos os amigos da Congregação. É uma grande responsabilidade que a Igreja agradece e que deveria marcar estas comemorações. Existe a necessidade de, nos dias de hoje partir e continuar o gesto dos grandes missionários, que abandonaram o seu mundo para entrar numa realidade totalmente distinta”.

Esta grande festa de Pentecostes Jubilar, vivida pela Família Espiritana e à qual se associaram familiares dos Espiritanos, amigos e representantes de comunidades religiosas, concluiu-se com um jantar de convivo, onde não faltou o bolo dos 150 Anos dos Espiritanos em Portugal.

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