Outra lógica

Perante a tirania dos ricos e poderosos, perante o império dos sentidos a que hoje estamos sujeitos, é neste convite de Cristo “vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos” que nós podemos encontrar a paz e a verdadeira alegria, pois reconhecemos que o seu “jugo” é o único que não oprime nem esmaga e que “a sua carga é leve”.

Ilustração de Patxi Fano

14º Domingo do Tempo Comum

Num tempo em que a alegria se confunde com umas horas passadas, seja por que preço for, num local de diversão em que o som atinge o máximo de decibéis permitido, os ritmos são os mais frenéticos possíveis e os foliões se encharcam em álcool e drogas, a Palavra do Senhor deste domingo oferece-nos, em alternativa, uma alegria perene e serena, onde as manifestações de júbilo não cansam, não arruínam, nem deixam um sabor amargo na boca e um enorme vazio no coração.

Na verdade, a alegria, para a qual Deus nos convida, não assenta em critérios de fama, de riqueza ou de poder, mas na força serena, humilde e pacífica, que nos vem da certeza de sermos amados por Deus, um Deus que se apresenta “montado num jumentin ho”. 

Num tempo em que se idolatram os mais fortes e poderosos, em que a prepotência é o argumento com que se fazem calar os mais fracos e a razão da força prevalece sobre a força da razão, a Palavra do Senhor deste dia faz a apologia da simplicidade, da brandura, da força do espírito, da força revolucionária do amor! Neste domingo exalta-se a omnipotência da fragilidade e do amor!

Com efeito, apesar desta aparência de fragilidade, é Deus quem “destruirá os carros de combate”, quebrará “o arco de guerra”, e dará “vida nova aos nossos corpos mortais”, pois o seu Espírito foi capaz até de ressuscitar “Cristo Jesus de entre os mortos

É a sintonia com este jeito de ser e de agir do nosso Deus que leva Jesus a, num estremecimento de comoção, irromper no louvor que o texto do evangelho de hoje regista. S. Lucas, por sua vez, relaciona-o diretamente com a experiência missionária feita pelos Apóstolos e discípulos e a quem, no regresso, Jesus diz: “Eu vi Satanás cair do céu como um relâmpago.... Felizes os olhos que vêm o que vós vedes”. 

Perante a tirania dos ricos e poderosos, perante o império dos sentidos a que hoje estamos sujeitos, é neste convite de Cristo “vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos” que nós podemos encontrar a paz e a verdadeira alegria, pois reconhecemos que o seu “jugo” é o único que não oprime nem esmaga e que “a sua carga é leve”.

Com quem poderá contar o Espírito de Deus para dar a volta a este mundo cada vez mais violento e, por isso, cada vez menos habitável, porque inseguro, sem paz, sem segurança, sem tranquilidade?

Só nós, cristãos, poderemos ajudar os muitos irmãos nossos que andam “cansados e oprimidos” a encontrar o porto seguro e tranquilo do Coração de Jesus, “manso e humilde de coração”!

Mas, seguramente, não o conseguiremos sem nos tornarmos alunos assíduos e atentos da escola de Jesus, “manso e humilde de coração”. De facto, a mansidão, a simplicidade e a humildade, são produtos que não se encontram nas prateleiras do consumo e se, porventura existissem, teriam o seu prazo de validade há muito expirado por não serem procurados! Existirão, ao menos, em nossas casas? Contam-se eles entre os valores que procuramos transmitir às novas gerações?

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