Órfãos de Auteuil

15. A história do Beato Daniel Brottier, contada pelo P. Agostinho Tavares.

Os órfãos e as viúvas aparecem na Bíblia entre os frágeis, que Deus protege e ordena que deles se cuide. Pois bem, amigo leitor, depois do heroísmo com que viveu o serviço de capelão voluntário na primeira guerra mundial, o Beato Daniel Brottier, começará a última etapa da sua vida de missionário: será, desde 1923 até à morte, ocorrida a 28 de fevereiro de 1936, Pai dos órfãos de Auteuil.

A obra Órfãos Aprendizes de Auteuil fora fundada, em 1866, pelo P. Rosseul, sacerdote da diocese de Paris. O seu fim não era apenas dar abrigo e pão a crianças e adolescentes órfãos, mas incutir-lhes valores e fazê-los aprender um ofício que lhes permitisse singrar na vida. No entanto, os sucessores do P. Roussel não conseguiam superar as dificuldades materiais com que a obra se debatia desde o início. Por isso, em 1923, o cardeal Dubois de Paris decidiu confiar a obra aos missionários do Espírito Santo. Monsenhor Le Roy, então superior geral da Congregação, aceitou de bom grado a incumbência. E foi bater à porta do P. Brottier, para que fosse ele a dirigir a Obra, coadjuvado por mais um ou dois missionários espiritanos. Eis, amigo leitor, como o Beato Daniel Brottier encarou a nova missão:

«Quando Monsenhor Le Roy me falou em assumir a direção da Obra de Auteuil, senti que era lá que era esperado pela santa carmelita de Lisieux. Foi por isso que aceitei, sem prever ainda como é que ela me iria ajudar, mas certo da sua chuva de rosas». Mais do que cumplicidade, há aliança entre Teresa e Brottier na orientação desta Obra, como atesta o P. Pichon, nomeado ao mesmo tempo que Brottier para Auteuil: «No dia em que [vindos da rue Lhomond] chegámos aqui, ele disse-me ainda no táxi que nos levava: “Rezei a missa esta manhã pelos órfãos de Auteuil. Ofereci-me a Deus para os servir até à morte. Não desejo nenhum posto a não ser este. E se quiseres fazer como eu, Deus abençoará o nosso trabalho”». 

No mesmo dia em que assumiu a orientação da Obra (19 de Novembro de 1923) o P. Brottier falou assim aos seus futuros colaboradores: «Quero dar a esta Obra o máximo de eficácia, ou seja, salvar o maior número possível de órfãos. É o único objetivo e razão de ser desta casa. Por isso, depois de Deus, quero contar, antes de mais, com o meu pessoal». Palavras de um homem de fé, mas também de um grande líder, que sabe assinalar objetivos e motivar os seus colaboradores.  

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