Olhos do tamanho do mundo

Jornadas Mundiais da Juventude em Cracóvia: o Papa Francisco encheu o coração do milhão e meio de jovens que inundaram Cracóvia de fé, festa e futuro.

Foto: João Claudio Fernandes

O Papa Francisco encheu o coração do milhão e meio de jovens que inundaram Cracóvia de fé, festa e futuro.

Estas Jornadas Mundiais da Juventude não se resumiram a catequeses, festa e celebrações com jovens idos dos quatro cantos da terra. O Papa elaborou um vasto programa para ajudar os Jovens a ter olhos do tamanho do mundo. Assim, visitou Auschwitz, símbolo de crueldade. Foi uma homenagem em profundo silêncio, onde as suas únicas palavras ficaram escritas na sua língua mãe: ‘Señor, tem piedad de tu pueblo. Señor, perdon por tanta crueldad’ (29.07.2016). Visitou um hospital pediátrico. Prestou homenagem aos Religiosos assassinados pelo ‘sendero luminoso’. Lembrou os migrantes e refugiados mortos a caminho da Europa. Confessou jovens. Benzeu duas estruturas de solidariedade: um centro de dia para idosos e um centro da Caritas para apoiar pessoas pobres. E o gesto simbólico e fraterno destas JMJ foi a oferta de uma ambulância para apoiar refugiados sírios no Líbano.

Momento de emoção foi a escuta do testemunho de uma jovem ida da cidade-mártir de Allepo, na Síria.

De quinta (28 de Julho) a domingo, o Papa multiplicou intervenções e apelos, sobretudo dirigidos aos jovens. Lembrou-lhes que a Missão é uma viagem com bilhete de ida sem regresso. Há que construir uma Igreja em saída com o Evangelho escrito com obras de misericórdia. Lançou apelo forte aos jovens: ‘Não fiquem no sofá. Sejam protagonistas da história’.

Ao evocar Auschwitz e todas as guerras e atentados dos últimos tempos, Francisco afirmou: ‘é impossível vencer o terror com o terror’. E acrescentou mais tarde: ‘nada justifica o sangue de um irmão’.

Foi S. João Paulo II, ido de Cracóvia para Roma, quem lançou as Jornadas Mundiais da Juventude, em 1985. Ele é o ‘patrono das JMJ’ e foi muitas vezes evocado. Para este santo polaco, ‘a Igreja só será jovem quando os jovens forem Igreja’.

A Eucaristia de encerramento, no Campus da Misericórdia, congregou mais de um milhão e meio de jovens e menos jovens. O Papa Francisco disse às novas gerações: ‘para Deus, vales pelo que és e não pela roupa ou telemóvel que usas’. Pediu aos jovens que rejeitassem o ‘dopping do sucesso’ e a ‘droga de pensar só em si mesmo’. Resumiu, dizendo: ‘Com o olhar de Jesus Cristo, com alegria e com esperança os jovens podem fazer crescer uma ‘nova humanidade’ mais fraterna e mais justa’.

Aos Voluntários, o papa disse que ‘para terem futuro, os jovens têm de ter memória e coragem’.

A última grande notícia dada pelo Papa é que as JMJ de 2019 vão realizar-se no Panamá. Garantiu que ‘Pedro’ estará lá, mas pode já não ser o Papa Francisco!

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