O código de estrada do cristão

O 4º Domingo do Tempo Comum lança-nos algumas perguntas incómodas, mas que não podemos evitar!

4º Domingo do Tempo Comum 

O ‘desalinhamento’ de Jesus, referido na passada semana, acentua-se com a sua vida, com suas atitudes e gestos e com o seu ensinamento, tendo este no ‘Sermão da Montanha’ um dos seus picos mais elevados. De facto, nele encontramos uma autêntica síntese do que é ser cristão, verdadeiro código de estrada para a nossa viagem em direção à Casa do Pai.

E, aqui, o ‘desalinhamento’ é total: à autoestrada do ter, do poder e do gozar, apontada pelo mundo e por onde todos gostaríamos de circular, Jesus contrapõe o caminho sinuoso e difícil da pobreza, da mansidão, da fome e sede de justiça, da misericórdia, da pureza de coração e da promoção da paz, caminho que exige uma condução atenta e prudente, pois os riscos de despiste são constantes, como já todos sabemos e experimentamos.

Mas é o único caminho que é acessível a todos e nos garante a felicidade plena e verdadeira. Num tempo em que os caminhos da felicidade mais propagandeados são a fama, o prazer, a riqueza e a independência de tudo e de todos, Jesus continua a propor-nos o seu caminho, assente na pobreza e na humildade.

Pobreza evangélica não é sinónimo de nada ter, mas do empenho em não nos deixarmos escravizar por nada, é não confundir o ‘ser’ com o ‘ter’, é procurar não servir os bens, mas apenas servir-se deles, para si e para os outros. Por sua vez, a humildade ajuda-nos a não cair na escravatura do amor próprio, do orgulho, da autossuficiência. Ela leva-nos a aceitar a nossa condição de criatura.

S. Paulo, por sua vez, recorda-nos que superdotados, bem nascidos, ricos e poderosos são poucos, que Deus também não rejeita, mas que, normalmente, escolhem outros caminhos. Por isso, Deus prefere “o que é louco aos olhos do mundo” e escolhe “o que é fraco, para confundir o forte e reduzir a nada aquilo que vale”.

Será que também para cada um e cada uma de nós Cristo é mesmo “sabedoria de Deus, justiça, santidade e redenção”, isto é, fonte de felicidade? Será que, no concreto da nossa vida, escolhemos os caminhos apontados por Cristo ou, ao contrário, também nós viajamos, quanto nos é possível, pela autoestrada larga, fácil e cómoda para a qual o mundo aponta e as nossas inclinações naturais nos atraem e arrastam? E que felicidade é que irradiamos à nossa volta: em casa, no trabalho, no convívio e nas relações sociais: somos mais felizes por sermos cristãos ou aparecemos como uns coitadinhos?

Trata-se, seguramente, de perguntas incómodas, mas que não podemos evitar!

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