O banquete

O nosso jeito de celebrar os acontecimentos mais importantes da nossa vida pessoal, familiar e social inclui uma boa refeição. É dessa experiência que se serve a palavra do Senhor deste domingo para nos falar do Reino dos Céus.

28º Domingo do Tempo Comum

O nosso jeito de celebrar os acontecimentos mais importantes da nossa vida pessoal, familiar e social inclui uma boa refeição, uma ‘jantarada’ como costumamos dizer. É dessa experiência que se serve a palavra do Senhor deste domingo para nos falar do Reino dos Céus.

E o mais importante de uma ‘jantarada’ ou banquete nem é tanto a comida - abundante e diversificada - ou a bebida - ao sabor dos comensais -, mas o ambiente em que ela decorre, caracterizado pela alegria e boa disposição, sem pressas, pela convivialidade e por um traço comum: a relação com o homenageado, que faz com que “o amigo do meu amigo seja meu amigo também”.Por isso, no banquete do Reino dos Céus não haverá nem estranhos, nem inimigos, mas tão somente amigos, como também estarão afastadas a doença e a morte, principais causas de sofrimento e de tristeza.

No texto do evangelho, o acento está posto na recusa dos convidados, que, à última da hora, invocam todo o género de desculpas para não comparecerem.

Estranha e reprovável atitude, diremos nós. Mas essa é a questão: não nos desculparemos nós também com demasiada facilidade, para faltarmos ao banquete da Eucaristia dominical? E, quando vamos, com que disposições participamos nela? A nossa presença e participação irradiam alegria, proximidade e comunhão, ou estamos ali apenas para cumprir uma obrigação, um ‘frete’? Será indiferente estarmos juntos ou dispersos por todo o espaço da igreja? Tem a Eucaristia alguma influência na nossa vida? O pormenor do ‘traje nupcial’ tem muito a ver com a lógica da nossa participação: não pode dar para “estar como se não estivesse”!

Assim, a menos que recusemos o convite para o seu banquete nupcial, que é a Eucaristia, não é possível participar no festim sem a veste nupcial de “vestirmos a camisola” do nosso Deus e de nos empenharmos em combater as muitas fomes que atormentam tantos irmãos nossos. E elas são tantas e tão vastas - desde a fome de pão, de roupa e de casa, até à fome de trabalho, de paz, de respeito, de compreensão, de justiça e de amor...- que basta querer ver para imediatamente tropeçarmos nelas. E participar neste banquete significa não apenas ver todas estas fomes, mas implica também aceitar tornar-se “pão partido para a vida do mundo”.

Por isso, a participação no banquete de Deus transforma-se necessariamente em compromisso e em missão: compromisso em saciarmos as ‘fomes’ de tantos irmãos nossos, e missão para sermos portadores do convite de Deus a todos aqueles a quem ele ainda não chegou!

Como dizia Bento XVI, “o Evangelho não é um bem exclusivo de quem o recebeu, mas constitui uma dádiva a compartilhar, uma boa notícia a comunicar. E este dom-compromisso é confiado não apenas a alguns, mas sim a todos os baptizados”. E o papa Francisco lembra-nos que “a Igreja é por sua natureza missionária; se assim não for, deixa de ser a Igreja de Cristo, não passando duma associação entre muitas outras, que rapidamente veria exaurir-se a sua finalidade e desapareceria”.

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