O ano novo das árvores

Como nos ensina o calendário judaico, em 2017 não celebramos o velho ano dos frutos passados mas o novo da colheita futura.

P. Aristides Neiva

O ano novo começou em janeiro, mas não para todos. Para as árvores, começa mais tarde. Assim aprendi vendo um “calendário das religiões” de 2017. O “ano novo das árvores”, assinalado no calendário judaico, este ano é a 11 de fevereiro. Se vi bem, que sabe Deus para acertar com as festividades da minha religião quanto mais com as da religião alheia. “Essa é a estação na qual as primeiras árvores a brotar na Terra de Israel emergem do seu sono de inverno e iniciam um novo ciclo de produção de frutas”, leio. Sendo uma festividade ainda no inverno, parece-me que olha mais à promessa da abundância futura que à fartura do passado. Uma alegria na esperança, podemos dizer.

Fevereiro também é, para nós espiritanos, mês de árvores. Logo no início, no dia 2, assinalamos a morte do padre Francisco Libermann (1852) e no dia 26 o nascimento do padre Cláudio Poullart des Places (1679). Das raízes destes dois fundadores cresceu a árvore de que faz parte o beato Daniel Brottier, cuja festa celebramos a 28. Ainda no dia 2 (1921) foi criada canonicamente a Província Portuguesa da Congregação depois da República. E dela fazemos parte todos, como recordamos especialmente este ano em que assinalamos os 150 anos de presença em Portugal. 

Por exemplo, o padre José Maria Antunes (1856-1929), primeiro missionário espiritano português em Angola e primeiro provincial português (1904). Mas estávamos a falar de árvores e ele, botânico conceituado, deu o nome científico a algumas e a muitas plantas. É o caso da “Albizzia antunesiana”, abundante no sul de Angola e na África Austral. Fui ver essa árvore lá, nas terras do Google. Fraca para ser fotografada. Não tem a solenidade do imbondeiro nem a imponência da mangueira nem a utilidade de qualquer árvore de fruto. É mesmo uma árvore discreta, raramente alta, embora a madeira seja boa para móveis, parece. Boa para ser sacrificada, portanto. E com um nome assim, tão espiritana. 

Como nos ensina o calendário judaico, em 2017 não celebramos o velho ano dos frutos passados mas o novo da colheita futura.

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