Novo modelo de liderança

Os caminhos do Advento são, para todos nós, os caminhos de conversão apontados por João, o Batista. São eles que nos conduzem ao fundo do nosso coração, para o tornar capaz de acolher o Menino que nos foi dado.

2º Domingo do Advento 

Ao delinear a figura do Messias prometido, como alguém animado por um “espírito de sabedoria e de inteligência, de conselho e de fortaleza, de conhecimento e de temor de Deus”, que não julga “pelas aparências”, nem “pelo que ouvir dizer”, mas com “justiça e retidão” defenderá “os humildes do povo”, o profeta Isaías oferece-nos o perfil para o verdadeiro exercício do poder, independentemente das circunstâncias de lugar e de tempo ou da sua amplidão.

Os efeitos benéficos de tal autoridade são apresentados em imagens utópicas de uma total harmonia em todos os níveis da criação, resumidos no refrão de hoje: “nos dias do Senhor nascerá a justiça e a paz para sempre”, mas que será a única a triunfar, pois “a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos e as nações virão procura-la”.

Num tempo em que a imagem e as aparências estão fortemente sobrevalorizadas, esta Palavra do Senhor lança a cada uma e cada um de nós o desafio de avaliarmos quais são os critérios que têm prevalência nas nossas vidas.

É bem eloquente a autoridade que brota das palavras, gestos e obras de João, o Batista: de tal modo ela assenta tão exclusivamente na sua coerência de vida, que os seus contemporâneos se interrogam e o interrogam se não será ele o Messias esperado! E, aqui, o contraste com os Fariseus e Saduceus é tão grande, que até ele os apelida de “raça de víboras”, tal como Cristo os classificou ao afirmar que “tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens: alargam as filactérias e ampliam as borlas; gostam do primeiro lugar nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas, das saudações nas praças públicas e que os tratem por “mestres(Mt 23, 5-7).

Por isso, os caminhos do Advento são, também para todos nós, os caminhos de conversão apontados por João, o Batista. São eles que nos conduzem ao fundo do nosso coração, para o tornar capaz de acolher o Menino que nos foi dado e que, com o seu ensinamento e exemplo (“Eu vim para servir”) nos encaminha para os domínios do serviço, da reconciliação, da harmonia, do conhecimento de Deus.

Deste modo aprenderemos a semear, pelos caminhos da vida, pequenos sinais de esperança para os nossos irmãos, pois “baptizados no Espírito Santo e no fogo” das águas da conversão, seremos capazes de viver em paz, harmonia e fraternidade num mundo cada vez mais “a ferro e fogo”, e seremos “trigo” que o Senhor gostosamente recolhe no seu celeiro! 

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