Mulheres de cinza

É um romance histórico que tenta abordar os últimos tempos do chamado Estado de Gaza, na parte sul de Moçambique, liderado por Ngungunyane. Este imperador foi derrotado pelas tropas de Mouzinho de Albuquerque em 1895. Como diz Mia Couto, esta narrativa é uma recreação ficcional inspirada em factos e personagens reais.

Do texto, destaco algumas frases que me marcaram:

"O pior modo de perder uma guerra é esperar eternamente que ela aconteça" (p.67).

"A diferença entre a guerra e a paz é a seguinte: na guerra, os pobres são os primeiros a serem mortos; na paz, os pobres são os primeiros a morrer. Para nós, mulheres, há ainda uma outra diferença: na guerra passamos a ser violadas por quem não conhecemos" (p.125).

"A generosidade de uma família mede-se pelo modo como acolhe os seus hóspedes" (p.279).

"Todos neste mundo somos descendentes de escravos ou donos de escravos" (p.284).

"A crueldade de uma guerra não se mede pelo número de campas nos cemitérios. Mede-se pelos corpos que ficam sem sepultura" (p.297).

"A maior ferida da guerra é não deixarmos nunca de buscar os corpos de quem amamos" (p.298).

"Eis o que faz a guerra: a gente nunca mais regressa a casa. E não há leito, não há ventre, não há sequer ruína a dar chão às nossas memórias" (p.302).

Edição Caminho / Leya

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