Missão através da televisão e cinema

Inês Leitão é uma profissional do mundo da televisão. Gosta de escrever argumentos e livros. Trabalha sempre (ou quase) em parceria com a sua irmã Daniela, realizadora. Nos últimos tempos, brindaram-nos com documentários sobre trabalhos pastorais/sociais que mostram uma Igreja em saída, na direção das periferias e margens, como pede o Papa Francisco.

Inês e Daniela Leitão com o Papa Francisco, em Roma

Como surgiu a ideia de comunicar pelo cinema /documentário?

Eu trabalho em televisão, não em cinema. Mas a ideia surgiu há muito tempo – 2012 – quando fizemos o nosso primeiro documentário sobre as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e sobre o seu maravilhoso trabalho com doentes mentais. Eu tinha tido uma experiência de missão com as Irmãs em 2005 e nunca as esqueci, nem a elas, nem aos doentes. Achei que mostrar este trabalho em televisão era um enorme desafio, mas um desafio extremamente importante numa altura em que as grelhas televisivas apostavam muito nos ‘reality shows’ e em tudo o que era instantâneo.

Esse trabalho com as Irmãs da Idanha foi o primeiro do género - que mostra o vosso filme?

Sim, “Mulheres de Deus” foi o primeiro de mais cinco documentários que se seguiram: todos eles diferentes, mas todos eles com um denominador comum: a vida de pessoas e a vida de pessoas extraordinárias. Neste caso, gravamos a vida destas irmãs extraordinárias, a relação com os doentes, a relação com Deus, mas sobretudo também queríamos desmistificar a ideia que só vai para Irmã que tem desamores, quem não quer ter família, quem tem famílias austeras que obrigam as filhas à Vida Religiosa! Estou convencida que todos os religiosos que conheço sabiam no seu coração que era aquele o seu caminho e que são pessoas felizes. 

Os Missionários da Consolata no Zambujal - que bairro conseguem mostrar no vosso filme?

O bairro do Zambujal. O verdadeiro. O que não é só feito de problemas estruturais, mas que é feito com laços de grande amor, amizade e fé. Cada vez que passo ali também sinto aquele bairro como meu, porque aquelas pessoas também são um bocadinho minhas. 

Como descobriste o P. João e como olhas o filme e o livro ‘O Padre das Prisões’?

O Pe. João ligou-me para me conhecer – eu tinha ido a uma audiência com o Papa por causa do trabalho “O meu bairro” e o padre João ligou-me e disse-me “eu sou o padre João e trabalho nas cadeias”. Esta frase, só esta frase, pôs as minhas orelhas de pé (risos). A minha pergunta imediata para mim própria foi:”o que é que um padre faz nas cadeias?” Com o tempo percebi que o Pe. João Gonçalves não é só um padre, ele é O Padre das Prisões e que não há outro lugar onde a Presença de Deus possa ser tão necessária como numa prisão portuguesa.

Agora, o vosso trabalho mais recente com as mulheres guineenses em Lisboa e o drama da mutilação genital?

O trabalho “Este é o meu corpo” foi feito com a comunidade guineense, mas não é esta a única comunidade que faz a prática. Aliás, temos muito que agradecer a esta comunidade porque é a única que em Portugal se vai abrindo mais conscientemente, para falar, para dar a conhecer e para dizer que NÃO quer ver as suas mulheres nem as suas meninas passarem pelo horror da mutilação.

O Papa abraçou-vos em Roma e recebeu o vosso filme. Como registam esse momento?

Acho que tanto para mim como para a minha irmã aquele abraço do Papa Francisco, que rompe um bocadinho com o protocolo, foi um dos momentos mais felizes da nossa vida. Temos um Papa das margens, um verdadeiro Papa que está ao lado dos que sofrem e que não se cala. Foi um dia muito, muito feliz.

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