Estreita é só a entrada

«Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e sentar-se-ão à mesa do reino de Deus. Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos»

21º Domino do Tempo Comum

A resposta de Jesus não se detém a alimentar a curiosidade subjacente à pergunta que lhe foi feita, mas encaminha-nos imediatamente para o que realmente é importante: o empenho que cada um de nós deve pôr para atravessarmos a passagem, essa, sim, estreita, que dá acesso ao Reino dos Céus.

Aliás, este tem as dimensões do coração de Deus e, por isso, nele há lugar para todos os seus filhos: “hão de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul”. Já através do profeta Isaías o Senhor tinha afirmado: “virei reunir todas as nações e todas as línguas, para que venham contemplar a minha glória”.

Então, a verdadeira questão não reside na falta de espaço, mas nas condições de acessibilidade. E, aqui, Jesus é bem claro: há muita bagagem que não passa no controle fronteiriço, pois a passagem é mesmo estreita.

Há ‘mercadorias’ que, de certeza, não passam neste controle. Para além da prática do mal - “afastai-vos de mim todos os que praticais a iniquidade” - também, a altivez do orgulho com o seu o role de comendas, títulos e cargos, os cifrões das contas bancárias e os cartões multibanco, por mais ‘golden’ que eles sejam ....

Mas, curiosamente, o evangelista aponta um outro género de bagagem que também não é suficiente: a simples prática religiosa e sacramental (“comemos e bebemos contigo; ensinaste nas nossas praças”) não dá, só por si, garantia de acesso! E S. Mateus ainda vai mais longe: nem os milagres dão garantia absoluta (cf. Mt. 7,22)!

O caminho mais seguro para acertarmos com a porta estreita já nos foi indicado pelo profeta Miquéias: “já te foi indicado, ó homem, o que deves fazer, o que o Senhor exige de ti: praticar a justiça e amar a misericórdia, e ser humilde diante de Deus” (Miq. 6, 8).

E este caminho leva-nos necessariamente ao encontro dos nossos irmãos: “Ide por todo o mundo e anunciai a boa nova”. É o caminho da missão, ao perto e ao longe! De facto, com que ‘cara’ nos vamos apresentar diante de Deus se, sabendo que a sua vontade é que todos se salvem e vendo nós tanta gente enganada percorrendo os caminhos largos e fáceis do prazer, do comodismo e da riqueza, não fizermos nada por eles?

Por isso, a repreensão de que fala o texto da Carta aos Hebreus deve ser encarada mais como correção de rota e de rumo do que simples castigo corporal ou físico. Perguntemo-nos então: que bagagem estou eu preparando para me apresentar no controle dessa passagem estreita? E trata-se de uma pergunta que não convém adiar para amanhã!

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