Estamos (e estaremos) sempre juntos

"Acolher o toque da Missão" foi o mote que marcou o ritmo do projeto de voluntariado que, este verão, levou um grupo de Jovens Sem Fronteiras à Paróquia de São Miguel da Calheta, em Cabo Verde. Durante trinta dias, viveram o encontro, a partilha e a comunhão. Procuraram tocar o outro, mas também se deixaram tocar pela "fé simples, sincera e autêntica que contagia, entusiasma e reza" em cada um deles.

Chegámos de noite, sem conseguir ver o que nos rodeava. Só depois nos apercebemos da imensa beleza da ilha de Santiago. De um lado, montanhas castanhas que, com o passar dos dias, ganharam a cor verde com a chegada da tão esperada chuva. Do outro lado, o azul do mar que contorna toda a ilha. Em cada novo dia conseguíamos sempre ver um pormenor diferente, mais bonito. E, nunca, nenhum registo fotográfico conseguirá transmitir o que de tão mágico ali se vê e vive.

Contudo, a missão não se faz de paisagens. Faz-se do melhor que temos na vida: as pessoas. E com elas vivemos o encontro, a partilha, a comunhão. Há missões de devorar quilómetros. Há missões de querer fazer tudo. E há missões de ser com o outro, estar com o outro. Fazer é necessário, mas deve ser complementar e não prioritário. O que realmente marca, nos outros e em nós, é a relação que estabelecemos. 

As pessoas da paróquia da Calheta de São Miguel, desde Principal até Achada Laje, acolheram-nos de forma tão calorosa como se dos seus filhos se tratasse. Os sorrisos, os apertos de mão que tão rapidamente passaram a abraços fortes e sentidos, as portas sempre abertas de suas casas, o tanto que nos deram que só Deus sabe se soubemos retribuir.

Durante este mês dedicado à missão, perante a grande dimensão geográfica da paróquia, focámos o nosso trabalho em algumas das suas comunidades: Principal, Achada do Monte, São Miguel, Calheta, Flamengos e Achada Laje.

Em cada uma delas, tentámos perceber quais as suas maiores necessidades ao nível da formação e o tempo teve que ser gerido para que conseguíssemos estar com todas elas de forma, minimamente, igualitária. O foco principal, na sua maioria, passou pelas áreas da Música, Inglês, Pedagogia, Informática, ATL, Saúde e Pastoral. Não fomos ensinar. Fomos, isso sim, para aprender e, de coração a coração, viver ao ritmo da missão.

E é neste ‘viver partilhado’ que chegamos ao ser e estar com o outro, que tocamos o outro, que deixamos que o outro também nos toque. É sentir a presença de Deus em cada olhar cruzado, em cada sorriso partilhado, em cada abraço sentido, em cada oração, em cada momento vivido e fraternizado.

Na verdade, podemos sentir que o amor a Deus é inquestionável. Que nunca a nossa memória (e o nosso coração) se esqueça das eucaristias em ‘igrejas campais’ de paredes forradas de pessoas, decoradas com os montes e o mar, o tecto repleto pelo azul imenso do céu, e uma fé simples, sincera e autêntica que contagia, entusiasma e reza em nós.

Trinta dias que passaram demasiado rápido. Trinta dias repletos de amor, cumplicidade e doação. Voltar é sempre o que mais custa, porque a vontade é sempre a de ficar. Não tanto pela terra mas, sobretudo, pelas pessoas. Mas voltámos com o coração a transbordar de amor por acolhermos, juntos, o toque da missão. 

A missão não termina agora, porque a vivemos e vemos como missão infindável. O projeto Ponte continua agora dentro de cada um de nós, os que foram e os que ficaram, mas que connosco partiram, no coração e em oração. Que todos saibamos acolher o verdadeiro toque da Missão.

Cabo Verde: estamos (e estaremos) sempre juntos!

 

Rita Coelho: Acolher! Nunca pensei que este verbo tão simples pudesse ter tanto significado. Ao longo da missão, não houve um único momento em que este acolhimento não fosse sentido. E foi este o maior sinal do amor de Deus. Em todas as visitas, em todas as crianças com quem brincamos, em toda a gente com quem nos cruzamos, Deus estava sempre presente através deste acolhimento, desta morabeza que tanto nos marcou e que nos fez cada vez melhores testemunhas do seu amor. 

Gabriela Loureiro: A nossa voz ecoa nas ruas e começam a chegar crianças, jovens, sorrisos, brincadeiras, músicas, jogos, abraços, alegria. No nosso corpo sente-se uma energia inigualável. É amor. A cada passo que dávamos na direção contrária daquelas pessoas o coração transbordava de felicidade e ao mesmo encolhia com as saudades que sentia, era uma tristeza alegre. Encontrei um pedacinho do céu na terra que nos inunda com uma morabeza no coração. 

Ludimila Silva: "Nhos ben, nhos entra, nhos xinta" não havia melhor maneira de sermos acolhidos por pessoas que pouco, ou nada nos conheciam e, que, ao verem-nos na rua convidavam-nos a entramos nas suas casas e a sentar nas suas mesas, como se fôssemos da família. A partilha de fé entre o dar e o receber,  o acolher e ser acolhido criou uma linda ponte, onde conseguimos perceber que a fé é o que nos move e une e, que a nossa maior riqueza é a fé que partilhamos. 

Margarida Catarino: Durante esta missão PARTILHAR foi a ação mais praticada entre o grupo e a comunidade que nos acolheu. Partilhámos sorrisos, abraços, vivências. As pessoas abriram a porta da sua casa e do seu coração. Os missionários mostraram-nos o seu espírito de entrega e doação. Foram partilhados momentos de fé nas eucaristias e orações. Partilhámos a alegria das primeiras chuvas para regar as sementeiras! Pudemos sentir e acolher o verdadeiro Toque da Missão. 

Ana Pereira: Em Cabo Verde construímos e vivemos, juntos, uma missão de ser e estar, mais do que fazer. Ser e estar com as pessoas foi o que marcou este tão intenso mês. Os olhares, os sorrisos, os abraços, a partilha, o encontro. Rostos, palavras e momentos que ficarão para sempre eternizados na minha memória e, sobretudo, no meu coração. “Num caminho de pessoas, o encontro é o tesouro”, nunca um tesouro foi tão precioso. Uma vez mais afirmo: dar é bom, mas darmo-nos é muito melhor! 

Raquel Carreira: “Dam bênção”, ouvíamos diariamente, pedida aos mais velhos, ou de todos ao padre. Pedir a bênção de Deus é muito importante e recebê-la tem uma importância maior. Estivemos neste país quase verde, que esperava e rezava diariamente pela chuva que tardou a chegar para que pudessem pôr na mesa o pão nosso de cada dia. Trago muitas aprendizagens e testemunhos para a vida, mas a fé daquelas pessoas a cada momento do dia é algo que guardo na memória do coração e que sei que não irei esquecer! 

João Branco: O projeto ponte é construído por pessoas e palavras, que, a cada dia que passa, fazem mais sentido. Pelos caminhos, sem saber por onde e como, sem destino certo, partindo à descoberta de um povo sempre pronto a ACOLHER em sua casa. O TOQUE - era um pequeno toque nas crianças para que se quebrar aquele gelo e desconfiança, um pequeno toque que se transformava em enormes gargalhadas de verdadeira alegria. ENCONTRO, é o ponto máximo desta experiencia, estar, ouvir e acolher o amor no coração. 

P. Tiago Barbosa: “Nhor Padre, que bencóm que venha visitar-nos!” TOCAR, ENTRAR E ACOLHER! Tocámos muitas portas, muitas pessoas. Sentimos o toque de um coração que vive a sua fé com alegria, simplicidade e generosidade. Experimentamos ser Igreja que entra porque saiu ao encontro, porque se dispôs a partir para o outro com Deus. Acolher: este o significado cristão e missionário da morabeza cabo-verdiana que, dia a dia, de coração a coração, saboreamos com Deus. Foi (e é) sinal de Deus que acolhe e abraça. 

Elisa Ribeiro: “Cabo Verde” … sorrio quando dizem estas palavras. Sorrio por recordar este país, esta missão, os abraços fortes, a alegria contagiante, as partilhas e principalmente as pessoas, aquelas que nos acolheram tão bem que nos fizeram sentir em casa. Sorrio porque durante o mês foi o que mais demos e recebemos, quando íamos ao encontro do outro sendo nas brincadeiras com os mais novos como nas formações com os mais velhos. Sorrisos e recordações que me enchem o coração! 

Nuno Velho: Fui chamado a ir, estar perto dos que estão longe, arriscar a conhecer o desconhecido! Quando cheguei fui abraçado pelo carinho e generosidade das pessoas que, apesar de não nos conhecerem de lado nenhum e dos milhares de kms de distância, nos fizeram sentir em casa, tratando-nos como filhos. O que mais me marcou foi o olhar das pessoas, o sorriso genuíno e o abraço apertado! Partimos de lá de coração cheio por termos partilhado estes momentos com estas pessoas com quem Deus nos juntou. 

Luciana Cunha: Cada dia de missão foi diferente, mas todos eles tinham algo em comum, o encontro. O encontro com o outro, o encontro com Deus, presente em cada bênção, cada sorriso, cada aperto de mão, cada abraço, cada partilha e desabafo. Tocámos e deixamo-nos tocar pelo povo cabo-verdiano, por este povo de morabeza, que como família nos acolheu. Sabemos que é apenas um mês, e na hora da despedida aperta o coração. Mas é por Ele que vamos, é por Ele que voltamos. Não fazia sentido se de outra forma fosse. 

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