Está na hora!

Não queiramos, pois, construir o edifício da nossa eternidade com mero fogo de vistas, nem com fogachos de entusiasmo que se esfumam na curva do primeiro obstáculo, mas alicerçados nesta opção exigente do seguimento de Jesus, com ponderação e perseverança!

23º Domingo do Tempo Comum 

Na altura em que Dioceses, Paróquias e Movimentos se preparam para lançar novo ano apostólico, esta Palavra do Senhor pode ajudar-nos nesta tarefa ao recordar-nos de forma bem clara as linhas mestras de todo o discipulado, isto é, das condições fundamentais para sermos verdadeiros seguidores de Jesus: “Se alguém vem ter comigo, sem Me preferir ao pai, à mãe, à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem, de entre vós, não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo”.

Convenhamos que se trata de ‘mínimos’ bem exigentes, de decisões que precisam de ser bem refletidas e não apenas fruto de um entusiasmo passageiro, reclamando, por isso mesmo, ponderação e perseverança, atitudes hoje muito pouco procuradas nas prateleiras da vida. Mergulhados como estamos no facilitismo e no imediatismo do “já e sem esforço” reinante, a música de uma radicalidade exigente e perseverante não nos embala para semelhante género de compromisso. 

Por isso, continuam bem atuais estas palavras do papa Francisco: “Eu sei que vocês querem ser cristãos de verdade; não cristãos pela metade, nem cristãos ‘engomadinhos’, cujo cheiro os denuncia, pois parecem cristãos, mas, no fundo, não fazem nada; nem cristãos que são ‘pura aparência’, mas sim cristãos autênticos… Na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é ‘curtir’ o momento, uma vez que não se sabe o que nos reserva o amanhã. Tenham a coragem de ‘ir contra a corrente’.

Na verdade, exigência e ponderação são precisamente os antídotos para o ‘eterno recomeço’ a que parece estar votada a nossa vida: após um período de férias e de dispersão, vamos regressando, resignados e já cansados, ao ‘sempre o mesmo’ de um dia-a-dia rotineiro a que nos parece conduzir o texto do livro da Sabedoria, no qual, por forte influência da filosofia platónica, a nossa vida neste mundo aparece extremamente condicionada “pelo corpo corrutível [que] deprime a alma e a morada terrestre [que] oprime o espírito que pensa”.

Só encarando cada novo ano como desafio para acrescentarmos mais uma rodada à construção da nossa torre é que podemos abraçar o dia-a-dia com coragem, determinação e perseverança. De facto, é só pela exigência e ponderação que podemos transformar a nossa vida de eterno recomeço numa espiral que nos vai elevando, constante e progressivamente, para o alto.

Não queiramos, pois, construir o edifício da nossa eternidade com mero fogo de vistas, nem com fogachos de entusiasmo que se esfumam na curva do primeiro obstáculo, mas alicerçados nesta opção exigente do seguimento de Jesus, com ponderação e perseverança! Sirva-nos de estímulo Madre Teresa de Calcutá, cuja canonização acontece neste domingo!

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