Encontro-me no teu olhar

Que para todos sejam dias de verdadeira graça. Que os sorrisos, olhares, estórias vivenciadas permitam a cada um encontrar e encontrar-se.

“A solidão é sobretudo a incapacidade de ver qualquer pessoa como nos pertencendo, para que nos pertença de verdade e se gere cuidado mútuo. Como se os nossos mil pais e mais as nossas mil mães coincidissem em parte, como se fôssemos por aí irmãos, irmãos uns dos outros. Somos o resultado de tanta gente, de tanta história, tão grandes sonhos que vão passando de pessoa a pessoa, que nunca estaremos sós.”

Valter Hugo Mãe expressa assim no seu livro O Filho de Mil Homens a génese humana, somos resultado das nossas circunstâncias, escolhas, dos encontros ou desencontros com que a vida nos vai presenteando. Este poderia também ser um bom mote para todos quantos neste verão pretendem dedicar um pouco de si aos irmãos, sejam eles de perto ou de longe. De acordo com a fundação Fé e Cooperação, em Portugal 389 jovens e adultos realizam projetos de voluntariado missionário em países em vias de desenvolvimento e 1014 desenvolvem atividades de voluntariado no nosso país. 

Uma “igreja em saída” tem sido um apelo insistente feito pelo Papa a todos os cristãos, pois como reflete “somente graças a este encontro – ou reencontro – com o amor de Deus, que se converte em amizade feliz, é que somos resgatados da nossa consciência isolada e da auto-referencialidade. Chegamos a ser plenamente humanos, quando somos mais do que humanos, quando permitimos a Deus que nos conduza para além de nós mesmos a fim de alcançarmos o nosso ser mais verdadeiro. Aqui está a fonte da ação evangelizadora. Porque, se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de o comunicar aos outros?”

Sair ao encontro dos outros é viver plenamente o mandato missionário, é construir-se verdadeiramente como pessoa. Quando experimentamos esta entrega aos outros, quando partilhamos a vida, a cultura, a fé, sentimos que somos homens e mulheres plenos, felizes. 

Este tempo que se avizinha será para tantos a refontalização para continuarem a ser a imagem destes “discípulos missionários que primeireiam, que se envolvem, que acompanham, que frutificam e festejam” Jesus. Para outros será a descoberta do outro como dom, da missão como forma de ser e estar e o entendimento de que fazemos parte de uma Missão maior iniciada por Cristo e a qual todos somos a convidados a continuar, de coração a coração.

Que para todos sejam dias de verdadeira graça. Que os sorrisos, olhares, estórias vivenciadas permitam a cada um encontrar e encontrar-se.

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