Em paz e em missão

O grande problema da Igreja hoje é que vivemos um cristianismo sonolento, acomodado e instalado que não favorece, nem facilita a nossa disponibilidade para a missão!

Envio em Missão (Vie de Jésus Mafa)

11º Domingo do Tempo Comum

O evangelho deste domingo, não se preocupando com a divisão do texto em capítulos, dá-nos o verdadeiro enquadramento do chamado ‘discurso missionário’: Jesus, ao ver as multidões “fatigadas e abatidas”, como “ovelhas sem pastor”, não diz apenas aos seus discípulos “pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara”, mas imediatamente chama os primeiros discípulos e os envia “às ovelhas perdidas da casa de Israel”.

De facto, o Senhor não precisa que o acordemos ou lhe recordemos a situação da humanidade, mas é Ele que quer precisar da nossa colaboração na obra da salvação, quer que sejamos a sua boca, as suas mãos e o seu coração. Por isso, rezar pelas vocações (sacerdotais, religiosas, laicais) é dizermos como o profeta Isaías: “aqui estou, envia-me!” (Is. 6, 8).

O grande problema da Igreja hoje é que vivemos um cristianismo sonolento, acomodado e instalado que não favorece, nem facilita a nossa disponibilidade para a missão! Era esse já o lamento de João Paulo II na Encíclica ‘A Missão do Redentor’: “não podemos ocultar uma tendência negativa, que, aliás, este Documento quer ajudar a superar: a missão específica ad gentes parece estar numa fase de afrouxamento, contra todas as indicações do Concílio e do Magistério posterior. Dificuldades internas e externas enfraqueceram o dinamismo missionário da Igreja ao serviço dos não-cristãos: isto é um facto que deve preocupar todos os que crêem em Cristo.” E lembrava que “a missão renova a Igreja, revigora a sua fé e identidade, dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações. É dando a fé que ela se fortalece!”  (nº 2).

Paulo VI, por sua vez, já antes tinha afirmado: “não deixaria de ter a sua utilidade que cada cristão e cada evangelizador aprofundasse na oração este pensamento: os homens poderão salvar-se por outras vias, graças à misericórdia de Deus, se nós não lhes anunciarmos o Evangelho; mas nós, poder-nos-emos salvar se, por negligência, por medo ou por vergonha - aquilo que São Paulo chamava exatamente "envergonhar-se do Evangelho" - ou por se seguirem idéias falsas, nos omitirmos de o anunciar? Isso seria, com efeito, trair o apelo de Deus que, pela voz dos ministros do Evangelho, quer fazer germinar a semente; e dependerá de nós que essa semente venha a tornar-se uma árvore e a produzir todo o seu fruto. […] Conservemos o fervor do espírito, portanto; conservemos a suave e reconfortante alegria de evangelizar, mesmo quando for preciso semear com lágrimas! Que isto constitua para nós, como para João Batista, para Pedro e para Paulo, para os outros apóstolos e para uma multidão de admiráveis evangelizadores no decurso da história da Igreja, um impulso interior que ninguém nem nada possam extinguir. (Evangelii Nuntiandi, nº 80).

É disto que o papa Francisco está sempre a falar através da expressão “Igreja em saída”. Aliás, é para aí também que a designação mais tradicional de Eucaristia - ‘missa’ - nos aponta: o “Ite, missa est” não quer dizer que a missa ‘acabou’, mas que é ‘missão’. A sua tradução poderia, pois, ser reformulada da seguinte forma: ide em missão e em paz, porque o Senhor vos acompanha!

Poderá o Senhor contar com cada um e cada uma de nós, para nos enviar em missão? Ele está aguardando a nossa resposta!

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