Diáconos ou missionários?

6º Domingo da Páscoa. S. Lucas quer-nos dizer que todo o cristão deve ter esta dupla marca: o espírito de serviço e o anúncio de Jesus Cristo.

Celebração litúrgica em Itoculo, Moçambique

6º Domingo da Páscoa

Se seguimos com atenção as 'crónicas' dos primeiros tempos do Cristianismo, que neste tempo pascal nos vão sendo apresentadas, facilmente encontraremos aparentes contradições como a deste domingo: os chamados ‘diáconos’ (Estêvão, Filipe, Prócoro, Nicanor, etc.) foram escolhidos para o serviço das mesas, tendo até os Apóstolos lhes imposto as mãos para os encarregarem oficialmente desta tarefa. Mas, de seguida, S. Lucas apresenta-nos Filipe dirigindo-se para a Samaria, onde “começou a pregar o Messias àquela gente”, missão que, ainda por cima, os Apóstolos tinham reservado para si: “Não convém que deixemos de pregar a palavra para servirmos às mesas”…

É que, mais que duas tarefas distintas, a serem exercidas em exclusividade, S. Lucas quer nos dizer que todo o cristão deve ter esta dupla marca: o espírito de serviço e o anúncio de Jesus Cristo. Com efeito, a verdadeira evangelização não dispensa a ressonância testemunhante de uma vida coerente, vivida em espírito e atitude de serviço, no seguimento do Mestre, que naõ veiopara ser servido, mas para servir.

Por isso, cada cristão não tem que fazer tudo na comunidade, nem todos fazerem a mesma coisa, mas apenas aquilo para que estiver melhor preparado e fazê-lo com espírito de serviço, isto é, em harmonia e complementaridade. É para isso que recebemos o sacramento da “imposição das mãos” ou Crisma.

Por isso, nestes dias em que, por todo o lado, se confere este sacramento, talvez valha a pena perguntarmo-nos em que medida é que cada crismando já está orientado para o seu compromisso na comunidade. Doutra forma, este sacramento servirá apenas para se ter a ‘caderneta’ cristã em dia e, assim, se poder ser padrinho ou madrinha de batismo ou, então, será o atestado para poder ‘levantar voo’, só voltando - se voltar! - quando as suas conveniências a isso o obrigam!

Só na medida em que esta dupla marca for crescendo em nós nos tornaremos “esperança para os outros, uma esperança real e realizável segundo o estado de vida de cada um. Ao ‘pedir’ e ‘exigir’ o cumprimento dos nossos deveres de estado (carta da Irmã Lúcia, 28/II/1943), o Céu desencadeia aqui uma verdadeira mobilização geral contra esta indiferença que nos gela o coração e agrava a miopia do olhar”. 

“Não queiramos ser uma esperança abortada”, nos repetia há dias em Fátima o papa Francisco.

“Sob a proteção de Maria, sejamos, no mundo, sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus Salvador, aquele que brilha na Páscoa, e descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor”.

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