Deixar - Partir - Subir

Ao 'deixar' e 'partir', está ligado inseparavelmente o 'subir', como condição para não ficarmos atolados no marasmo do dia-a-dia, sem horizontes largos e sem ar puro que nos permita respirar bem. É neste 'subir' que se vai realizando a nossa 'transfiguração' e se concretiza o convite do Papa Francisco a não nos contentarmos "com uma vida medíocre".

Transfiguração (Vie de Jésus Mafa)

2º Domingo da Quaresma

Não seria fácil e, ao mesmo tempo, é perfeitamente desnecessário, encontrar outra síntese daquilo que nos é proposto para a nossa caminhada quaresmal: deixarpartirsubir!

Se é verdade que, ainda hoje, muita gente é forçada a deixar a sua terra e partir - por causa de situações de fome, de guerra, de desemprego ou perseguição religiosa – e que vivemos num tempo de grande mobilidade – com tanta gente a viajar diariamente -, o desafio que a Quaresma nos lança é de outra natureza e, até, provavelmente não de dificuldade menor.

Tal como Abraão foi chamado por Deus a pôr de parte o que de mais significativo existia para ele (a terra, o povo, a família), para, liberto, seguir para onde o mesmo Deus o encaminhasse, também a nós o Senhor convida a deixarmos as nossas certezas, as nossas seguranças e, sobretudo, a nossa auto-suficiência, da qual, nestes tempos de sobrevalorização do individualismo e da liberdade, temos uma grande dificuldade em abdicar. Até na religião, hoje se opta por uma religião feita à medida dos nossos gostos e conveniências, pondo de parte os critérios objetivos de adesão e seguimento das respetivas normas e orientações.

Com efeito, todos reconhecemos que ao homem instalado e comodista, que prefere apostar na segurança do que já tem, em vez de arriscar na novidade de Deus, custa muito aceitar que a palavra de Deus ponha em causa os seus velhos hábitos, o seu estilo de vida, a sua instalação.

E, a este ‘deixar’ e ‘partir’, está ligado inseparavelmente o ‘subir’, como condição para não ficarmos atolados no marasmo do dia-a-dia, sem horizontes largos e sem ar puro que nos permita respirar bem. É neste ‘subir’ que se vai realizando a nossa ‘transfiguração’ e se concretiza o convite do Papa Francisco a não nos contentarmos “com uma vida medíocre”.

Abraão é-nos apresentado neste domingo como o nosso “pai na fé”, para, como ele, obedecermos aos chamamentos do Senhor e, confiadamente, nos deixarmos conduzir para as montanhas que Ele nos indicar! Só assim nos tornaremos, nós também, fonte de bênçãos para “todas nações da terra”!

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