As olimpíadas da vida

Vale a pena aproveitar este tempo de férias para avaliarmos o caminho já percorrido e renovarmos, quais atletas das olimpíadas da vida, a nossa determinação e o nosso entusiasmo para prosseguir nesta caminhada

18º Domingo do Tempo Comum

Sendo as férias, para muitos, sinónimo de tempo de descompressão, sem horários e sem compromissos, tempo para não fazer nada - é a resposta que mais se ouve no fim: “não fiz nada” - podemos dizer que a Palavra do Senhor deste domingo aparece como ‘um cabelo na sopa’, pois nos confronta com questões fundamentais, que, em nome da pressa, da falta de tempo e do stress, tentamos evitar a todo o custo, quando, na verdade e à partida, este tempo de paragem seria o mais propício para essa reflexão. Por isso, mesmo que seja um bocadinho a contra-gosto, deixemo-nos levar pelo convite que o Senhor nos faz!

O seu ensinamento exige que não separemos as três partes que o compõem.

Se é verdade que, do texto de Coelet, transpira um cheiro negativista e pessimista, embrulhando toda a nossa vida numa embalagem de “vaidade e grande desgraça”, a sua intenção é esvaziar o nosso coração do apego exagerado aos bens materiais, pois “a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens”, para nos podermos voltar e afeiçoar aos valores imperecíveis e eternos - “as coisas do alto” - apontados por S. Paulo.

Daí que Cristo não aceite ser envolvido em questões de partilhas, que, mesmo nos nossos dias, por mais uns cêntimos ou uns quantos euros, continuam a destroçar tantas famílias, e nos recorde que desconhecemos o dia da nossa partida para a última viagem. E, para esta viagem, só poderemos levar na bagagem aquilo que nos possa tornar “ricos aos olhos de Deus”, isto é, a verdade, a honestidade, o bem, a solidariedade, a misericórdia. Tudo o mais cá fica e, por aquilo que se vê, muito provavelmente para ser fonte de mais guerras e divisões!

Claro que este afeiçoamento “às coisas do alto” - sabemo-lo todos - não é hereditário, nem espontâneo: exige decisão, determinação, esforço e perseverança. Mas, foi este caminho que, pelo Batismo, decidimos percorrer “para alcançar a verdadeira ciência”. Por isso, vale a pena aproveitar este tempo de férias para avaliarmos o caminho já percorrido e renovarmos, quais atletas das olimpíadas da vida, a nossa determinação e o nosso entusiasmo para prosseguir nesta caminhada.

Por isso, com o Salmista, também nós rezamos: “Ensinai-nos a contar os nossos dias, para chegarmos à sabedoria do coração. Desça sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus e confirmai, Senhor, a obra das nossas mãos!”

Últimas

Católicos, mesmo?

A verdadeira ‘aldeia global’ é-nos proposta por Deus sob a forma de “casa de oração”, pois é pela...

Férias culturais

No período de férias proponho um passeio cultural com a família à Villa Romana de Pisões, situada na...

Deus desconcertante

19º Domingo do Tempo Comum. É importante que, num tempo em que somos constantemente bombardeados por...

É proibido reclamar

Este foi um dos últimos pedidos do Papa Francisco quando iniciou as suas férias de verão.

Bem-vindos ao Planalto

Ouvi estas palavras há precisamente 20 anos. O planalto é o angolano. Zona fértil, que se eleva a...