Animação Missionária nos Açores

P. Tiago visita ilhas de São Miguel e Terceira e descobre "um coração ‘vulcânico’ que arde em entusiasmo missionário!"

Dizem os manuais de turismo e as revistas de aviões que os Açores, como terra e região, encantam os turistas pelas suas ricas e tão diversas tradições, pela exuberante natureza e variado património e pela simpatia e bonomia das suas gentes. Se comprovei isto mesmo? Sim, realmente é verdade!

No entanto, descobri nos dias que passei em visita pelos núcleos da L.I.A.M. existentes, tanto na ilha de São Miguel, como na ilha Terceira que há ainda um aspecto importante neste fascínio charmoso que sentimos sempre que colocamos os nossos pés neste chão de basalto e de graminha: um coração ‘vulcânico’ que arde em entusiasmo missionário!

Desde a minha primeira visita, começando pelo grupo da LIAM da Ribeirinha, terra do já falecido missionário espiritano, pe. Francisco Janeiro, sente-se aquela alegria genuína e bela em afirmar com entusiasmo que somos um grupo missionário, que rezamos, trabalhamos e pertencemos às Missões.

Em Vila Franca do Campo, terra do grande missionário da Calheta em Santiago, Cabo Verde, sente-se pujante o coração que arde pela missão, ainda que a idade, por vezes, já não o consegue acompanhar. Aqui pude perceber que a dinâmica ganhadora foi sempre associar o que hoje anda separado da Missão: Educação. Formar não é só dar ferramentas intelectuais, mas abrir em gestos e sonhos o coração aos outros. E quando esses outros são os pobres, os fracos e os desamparados, então a educação ganha sentido em doação, generosidade e autenticidade. 

Nesta ilha de São Miguel, ao verde que lhe dá nome, cor e vida, há um toque missionário que se espelha nas comunidades cristãs e que tingem de esperança as mesmas. De Vila Franca a Santo António, da Fajã de Baixo ao Nordeste, da Ribeirinha ao Convento da Esperança, ainda que haja diferentes sensibilidades, frutos de idades, gerações e paróquias diferentes, mas une-se numa dinâmica eclesial de saída e de aproveitar festas e eventos para não perder nunca o jeito e a maneira de ser de quem sabe que a vida é para ser vivida como ‘Romeiro Diário’ que acolhe o outro e lhe abre a porta da casa e do coração.

E, por falar em romeiro, esta é a marca registrada desta terra. Neste tempo da Quaresma, é impressionante ver como se organizam as paróquias, as famílias para proporcionar aos romeiros, isto é, a todos aqueles que durante uma semana buscam na peregrinação crescer na fé e no amor ao próximo. Também aqui pude partilhar esta experiência com vários núcleos, em especial o núcleo de Santo António.

Na ilha Terceira, ainda que lhe digam a ilha lilás, a terra da festa e das diversões, foi muito alentador sentir o pulso vivo e animado dos 13 grupos da LIAM que nas suas paróquias ajudam a que a sensibilidade e carinho pela tarefa evangelizadora não esmoreça.

Cabe mencionar o esforço que numerosos leigos tanto em São Miguel como na Terceira, realizam em prole da animação e coordenação dos núcleos da LIAM, sendo que a grande maioria deles está muito comprometida nas suas paróquias. Na verdade, só encontro tempo para servir quem está ocupado! Realizam este serviço num espírito de fé de amor à Igreja e às missões. Sem eles, seria muito difícil levar a cabo a tarefa de animação e de acompanhamento. 

Foi também animador poder presenciar que a missão une paróquias, famílias e dinâmicas pastorais. Que as tradições levam à missão e que esta ajuda a que aquelas não sejam um mero capricho, mas a condição do ser igreja em saída, em encontro e em proximidade.

E muito deste dinamismo é fruto do trabalho silencioso de ‘pastoreio’ ao estilo de Jesus Cristo que os párocos desta diocese realizam. Próximos das suas gentes, sabedores dos seus sofrimentos e das suas alegrias, buscam conduzir as paróquias por caminhos da missão, de partilha e de fé.

Fiquei muito bem surpreendido, pela positiva, ao contactar com os professores de Religião e Moral que, nestas duas ilhas, lutam e dinamizam a cultura educacional com valores evangélicos desde tenra idade.

Se, por um lado, a escola forma os futuros homens e mulheres através da ciência e das letras, é importante que, por outro lado, lhes dê esta mesma escola um ambiente e meio onde Deus não é um desconhecido ou um ser frio e distante, mas um amigo e companheiro, um Pai a amar e que nos chamou à vida e dela nos une.

E é este o toque de esperança, de alegria e de missão que vivi nestas duas ilhas açorianas. Experimentei que a fé, como dom e compromisso premeia e se manifesta em todos os espaços da vida e da cultura. E no acolhimento ao outro que vem como missionário e amigo torna-se um gesto que fala e descreve o ser de um povo que, de coração cheio de ternura e carinho, se doa em missão, sabendo que esta nos ‘leva pela mão’ ao coração do irmão e de Deus.

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