Alinhados com Cristo

O ‘sim’ dado ao Senhor no dia do nosso Batismo, temos de o renovar a cada dia e a cada momento face às circunstâncias em que a nossa vida decorre

(Desenho por Patxi Fano)

3º Domingo do Tempo Comum 

As principais referências geográficas da vida de Jesus (nascimento nas periferias da capital - Belém; crescimento em Nazaré - “de Nazaré pode vir alguma coisa boa?”; e vida pública a partir de Cafarnaúm, situada na “Galileia dos gentios”), pouco têm a ver com simples critérios de descentralização, mas apontam para um desalinhamento intencional, revelador da originalidade e novidade do reino de Deus que Cristo veio inaugurar e instaurar. Só a sua condenação à morte e subsequente execução vão acontecer em Jerusalém…

Este desalinhamento prolonga-se não só na escolha dos primeiros discípulos, que recai em simples e pobres pescadores, sem qualquer entrevista prévia e apresentação dos respetivos ‘curricula’, mas também nas circunstâncias em que decide avançar para a realização da sua missão: fá-lo após a prisão de João, o Batista, circunstância que aconselharia a um silêncio estratégico, a um não ‘levantar mais ondas’, até ver ‘onde parariam as modas’.

É que a agenda e o relógio de Jesus não são regulados pela estratégia oportunística dos políticos ou por simples prudência humana, mas apenas e só pela vontade do Pai, mesmo tendo consciência do destino que o espera. Esta fidelidade ao Pai faz com que a sua presença, os seus ensinamentos e os seus milagres sejam para aquelas terras ‘do fim do mundo’ “uma grande luz”: a sua presença e ação causavam mais alegria que uma colheita abundante ou a partilha dos despojos da guerra – eram fonte de libertação.

E a reação de S. Paulo ao ‘partidarismo religioso’ que constata na comunidade de Corinto e no qual o seu nome é envolvido, prolonga este desalinhamento. Com efeito, as divisões que esta comunidade revela, mostram bem como as nossas inclinações e tendências naturais estão sempre à espreita para poderem levantar a cabeça e serem elas a impor-nos a sua lei, mesmo em nome de Deus. Basta reparar nas resistências que, ainda hoje e de todos os lados, se levantam ao processo ecuménico, sabendo todos que a maioria das divergências que nos separam foram sobretudo fruto de contextos históricos já totalmente ultrapassados, como foi recentemente reconhecido pelos organizadores do Oitavário de Oração pela Unidade dos cristãos, que está a decorrer, ao afirmarem: “Colocar o foco na sua fé comum pode apenas fortalecer a ligação entre as Igrejas. Também tentar comunicar juntas a fé cristã de um modo compreensível pode levar as próprias Igrejas a uma compreensão mais profunda de sua própria fé. O 500º aniversario da Reforma pode ser visto como uma oportunidade para relembrar ao público – tanto cristãos como também os que não crêem - o que a fé cristã tem como centro: o amor de Deus em Cristo para nós, humanos, e para toda a criação. É por isso que as Igrejas na Alemanha decidiram fazer desse aniversário uma celebração de Jesus Cristo”.

O ‘sim’ dado ao Senhor no dia do nosso Batismo, temos de o renovar a cada dia e a cada momento face às circunstâncias em que a nossa vida decorre, sejam elas quais forem, para que, permanecendo ‘alinhados’ com o Senhor e falando todos a “mesma linguagem” da concórdia, possamos proclamar com credibilidade às Galileias de hoje a Boa Nova da salvação!

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