Acolher sempre e bem

No deserto crescente do individualismo, que gera desconfiança e indiferença, sejamos oásis de acolhimento, correspondendo ao apelo do papa Francisco.

(Ilustração de Patxi Fano)

13º Domingo do Tempo Comum

Nos dias quentes que caracterizam esta época do ano, o calor convida muito mais ao relaxamento e descanso do que à atenção ao outro, seja ele quem for. Por isso mesmo, a Palavra de Deus deste domingo nos aponta para um acolhimento atencioso e ativo que, como cristãos, nos deve caracterizar sempre e em todas as circunstâncias.

É para esta forma diferente de estar na vida - “vida nova”, isto é, centrada no outro, particularmente no pobre, no abandonado e no estrangeiro -, que S. Paulo nos encaminha na segunda leitura, enquanto no texto do 2º Livro dos Reis o bom acolhimento, prestado ao profeta Eliseu, é recompensado com o dom da fecundidade. Por sua vez, no evangelho, Jesus nos garante que nem um copo de água fresca ficará sem recompensa!

Por isso, não admira que, na Bíblia, se encontrem repetidos exemplos e apelos à prática da hospitalidade. Assim, na Carta aos Hebreus (13,2) se lê: “Não vos esqueçais da hospitalidade, pela qual alguns, sem o saberem, hospedaram anjos”. Já S. Pedro (1Ped.4,9) nos recomenda: “exercei a hospitalidade uns para com os outros” e S. Paulo (Rom.12,13): “esmerai-vos na hospitalidade”.

Com razão, os judeus mantêm a prática de, à mesa, terem sempre um lugar a mais: alguém que chegue na hora nunca é um imprevisto e um incómodo, mas alguém que já era esperado. Por sua vez, em algumas tribos africanas, a origem dos lagos é relacionada com a falta de acolhimento de um viandante, daí resultando, como castigo, o desaparecimento dessa aldeia.

Hoje em dia, particularmente na indústria hoteleira e turística, cultiva-se um acolhimento atencioso e afável, mas como estratégia de mercado. Para nós, a sua prática decorre de uma fundamentação bem diferente: ”tudo o que fizerdes aos mais pequenino dos meus irmãos, é a Mim que o fazeis”.

Bom seria também que todo os profissionais da área da saúde se lembrassem que o ‘hospital’ deve ser, antes de mais, um lugar onde se privilegia o (bom) acolhimento, a hospitalidade!

No deserto crescente do individualismo, que gera desconfiança e indiferença, sejamos oásis de acolhimento, correspondendo ao apelo do papa Francisco: “Não nos deixemos cair na indiferença que humilha, na habituação que anestesia o espírito e impede a novidade, no cinismo que destrói. Abramos os nossos olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e sintamo-nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda Possamos romper a barreira da indiferença que frequentemente reina soberana para esconder a hipocrisia e o egoísmo”:

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