A vinha do Senhor

Que o nosso vinho seja abundante e bom e dê prazer de ser degustado, pois o nosso Deus é o melhor vinhateiro do mundo!

27º Domingo do Tempo Comum

O cultivo da vinha é, sem dúvida, aquele que mais prende o agricultor, quer pela duração dos trabalhos a realizar - estendem-se ao ano inteiro, desde a poda e o sulfatar, até ao vindimar e ao tratar dos vinhos-, quer pela natureza manual da maior parte deles, daí resultando uma espécie de conivência entre ambos.

Se a tudo isto acrescentarmos o arroteamento e preparação dos solos, e a escolha e plantação das castas mais apropriadas, facilmente nos apercebemos da sua força simbólica, que levou o próprio Cristo a afirmar: ”meu Pai é o agricultor e vós sois os sarmentos” da videira que era Ele próprio. Por isso também, compreendemos a razão pela qual a Igreja escolheu para esta época das vindimas dois textos contendo parábolas sobre a vinha, bem ricas de ensinamento para todos nós.

No texto de Isaías é ressalvado o empenho e desvelo com que o Senhor preparou tudo para esperar uma colheita abundante e de excelente qualidade. Daí também a imensidão do desalento quando os seus olhos se depararam apenas com “agraços”.

E para que não restem dúvidas, o próprio autor conclui: a Casa de Israel é esta vinha do Senhor. Mas, em vez de retidão e justiça, só encontrou nela “sangue derramado” e “gritos de horror”. Realmente, um cristianismo que se reduza a umas práticas religiosas e a algumas devoções e orações é, de facto, parra a mais e uvas a menos para uma ”plantação escolhida”, trabalhada com tanto amor e carinho!

Na parábola do Evangelho, já não se trata da improdutividade da vinha, mas da tentativa da sua usurpação por parte daqueles a quem tinha sido arrendada. Se essa foi sempre a grande tentação do homem - recordemos as histórias do pecado original (“sereis como Deus”) e da Torre de Babel – é-o particularmente nos nossos dias, em que, graças aos avanços prodigiosos da ciência e da técnica, o homem pretende substituir-se a Deus, para ser ele o único a riscar sobre toda a criação, sobre a sua vida e sobre a vida dos outros. E como é empobrecedor para o homem ver em Deus um inimigo a eliminar ou um adversário a vencer, quando é só n’Ele que poderemos encontrar a fonte e a plenitude da vida!

Por isso, e também para que não restem dúvidas, é o próprio Jesus que tira a conclusão: “ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos”. Não podemos, pois, escusar-nos à pergunta: que frutos tem produzido a vinha que em cada um e cada uma de nós o Senhor plantou, para dela obter colheita abundante? E como encaramos nós o seu senhorio?

S. Paulo encarrega-se de resumir os frutos que o Senhor espera de nós: “tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor” é isso que devemos ter em mente e produzir ao longo de toda a nossa vida.

Por palavras mais condizentes com o tema da vinha: que o nosso vinho seja abundante e bom e dê prazer de ser degustado, pois o nosso Deus é o melhor vinhateiro do mundo! E porque somos a sua “vinha escolhida”, é connosco que Deus conta para oferecer em abundância à Humanidade o vinho bom da paz e da alegria, já que bem envinagrados, apesar das suas embalagens atraentes, são os vinhos que abundam nas prateleiras da felicidade que o mundo oferece!

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