A pergunta incontornável

21º Domingo do Tempo Comum. Verdadeiramente admirável é a profissão de fé que Jesus, e por Ele, o próprio Deus, faz no homem.

(Ilustração de Patxi Fano)

21º Domingo do Tempo Comum

O hino de louvor e de admiração que S. Paulo canta sentidamente no texto da segunda leitura, tem a ver com a reflexão que ele foi fazendo nos domingos anteriores sobre a entrada dos pagãos na Igreja e para a qual como que foi necessária a infidelidade dos judeus. Mas também vai chegar o dia em que estes voltarão à verdadeira fé e a sua reintegração será como que uma “ressurreição dos mortos”!

Mas podemos apropriarmo-nos dele para o aplicar aos textos das outras leituras e louvar o Senhor pelas boas novas que por eles nos transmite.

Mesmo sabendo pouco - ou mesmo nada - sobre Chebná, nem sobre Eliacim, percebemos que se trata acima de tudo de perfis opostos sobre a forma de usar o poder: em Chebná está personificado o ‘carreirismo político’, com uso e abuso do poder de forma despótica, tudo orientando apenas para os seus interesses pessoais. Ao contrário, Eliacim aparece como aquele que procura agir ao jeito do pai que se desvela pelo bem-estar de seus filhos. E esta será para nós a forma definitiva de exercer o poder.

Por sua vez, a cidade de Cesareia de Filipe tornou-se um marco fundamental na história do Cristianismo pela admirável profissão de fé aí feita por Pedro na divindade de Jesus e pela instituição da Igreja e do Papado. Admirável também é que o próprio Jesus elogie o ato de fé de Pedro na sua divindade!

Mas, verdadeiramente admirável é a profissão de fé que Jesus, e por Ele, o próprio Deus, faz no homem, fazendo de Pedro o fundamento inabalável da sua Igreja! Mais ainda: o próprio Deus se coloca nas mãos do homem: tudo o que ligares e desligares na terra será ligado e desligado por Deus! É verdadeiramente admirável, inaudito e impensável o mistério da fé de Deus na sua criatura, pelos riscos que daí advêm para o próprio Deus!

Mas, para nós, esta confiança de Deus constitui também um verdadeiro desafio: sermos dignos da confiança de Deus! Procure, por isso, cada um e cada uma de nós corresponder a esta confiança de Deus, esforçando-nos por ser, segundo a sua situação e capacidade, verdadeiros ‘eliacins’ nas ‘cesareias’ do nosso dia a dia, ao serviço dos irmãos, pois de ‘chebnás’ continua o mundo cheio!

Por outro lado, “E vós, quem dizeis que eu sou?” é a pergunta incontornável para a qual Jesus pede a cada um/a de nós uma resposta, tendo bem consciência de que ela abrange não apenas o mistério de Cristo, mas também o mistério da Igreja que Ele instituiu à volta do ministério de Pedro. De facto hoje não são raras as tentativas de separar este binómio, de si ‘inseparável’.

Seja qual for o nosso posicionamento perante Jesus Cristo, a verdade é que estamos irremediavelmente relacionados com Ele. Desde a contagem do tempo aos símbolos que, por toda a parte, O representam. Desde o património artístico e literário às opções pessoais, Ele aí está, mesmo quando se pretenda negá-l’O, combatê-l’O ou votá-l’O à indiferença.

As ‘Cesareias de Filipe’ multiplicam-se em todos os tempos, por toda a parte e para todos: Quem sou eu para vós? Quem sou eu para ti? Querer evitá-la ou ingorá-la é como pretender eliminar a nossa própria sombra!

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