A nossa Semana

Passar ao lado desta ‘semana’ - seja por opção, seja por indiferença - é mesmo tornar-se indigno de usar o nome de “católico” ou de “cristão”!

Domingo de Ramos

Mais do que a designação oficial e corrente de ‘Semana Santa’, esta deve ser a ‘nossa’ semana, sejam quais forem as circunstâncias em que ela possa decorrer.

E sê-lo-á na medida em que, para além da participação - quase obrigatória - nas grandes celebrações de quinta-feira (instituição da Eucaristia e do Sacerdócio), da sexta-feira (celebração da Paixão e Morte de Cristo) e do sábado (Solene Vigília Pascal), a procuremos viver totalmente focados em Cristo, meditando e saboreando as verdades fundamentais da fé cristã: “Deus amou tanto o mundo que lhe entregou o seu próprio Filho”, “pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele” (Jo.3). E é nesta ‘semana’ que melhor podemos contemplar até onde foi este amor de Deus e de seu Filho por cada um e cada uma de nós.

Com razão o papa Francisco afirmou, alguns anos atrás: “Viver a Semana Santa significa entrar cada vez mais na lógica de Deus, na lógica da Cruz, que não é em primeiro lugar a da dor e da morte, mas do amor e do dom de si que dá vida. Significa entrar na lógica do Evangelho.

Seguir e acompanhar Cristo, permanecer com Ele exige um “sair”: Sairmos de nós mesmos, de um modo de viver a fé cansado e rotineiro, da tentação de nos fecharmos nos nossos esquemas, que acabam por fechar o horizonte da obra criativa de Deus. Deus saiu de si mesmo para vir ao meio de nós, montou a sua tenda entre nós, para nos trazer a sua misericórdia que salva e dá esperança. Também nós, se quisermos segui-lo e permanecer com Ele, não devemos contentar-nos em permanecer no recinto das noventa e nove ovelhas, mas temos que “sair”, procurar com Ele a ovelha tresmalhada, a mais distante. Recordai bem: sairmos de nós, como Jesus, como Deus saiu de si mesmo em Jesus, e Jesus saiu de si próprio por todos nós.

Na Semana Santa nós vivemos o ápice deste caminho, deste desígnio de amor que atravessa toda a história das relações entre Deus e a humanidade. Jesus entra em Jerusalém para dar o último passo, no qual resume toda a sua existência: entrega-se totalmente, nada conserva para si, nem sequer a vida”.

Passar ao lado desta ‘semana’ corresponde ao perfil traçado pelo mesmo papa Francisco: “Muitas vezes contentamo-nos com algumas preces, com uma Missa dominical distraída e inconstante, com alguns gestos de caridade, mas não temos a coragem de “sair” para anunciar Cristo. Somos um pouco como S. Pedro. Assim que Jesus fala de paixão, morte e ressurreição, de dom de si, de amor por todos, o Apóstolo chama-o à parte e repreende-o. Aquilo que Jesus diz altera os seus planos, parece inaceitável, põe em dificuldade as seguranças que tinha construido para si, a sua ideia de Messias”.

Convenhamos, pois, que passar ao lado desta ‘semana’ - seja por opção, seja por indiferença - é mesmo tornar-se indigno de usar o nome de “católico” ou de “cristão”! 

Entrada em Jerusalém, por He Qi, pintor cristão chinês

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