A marca trinitária

À semelhança e pela força da comunhão trinitária do nosso Deus, também nós seremos capazes de conjugar o singular com o plural, na certeza de que com o plural das nossas diferenças seremos capazes de construir, na paz, a verdadeira unidade e de executar a sinfonia da unidade, construída com o pluralismo sadio e convergente da originalidade de cada ser humano, de cada raça e de cada povo.

(Ilustração de Patxi Fano)

Solenidade da Santíssima Trindade

Não fora o Prefácio - próprio desta Solenidade - e quase não daria para nos apercebermos que hoje celebramos o mistério, não só exclusivo do Cristianismo, mas também o mais original e insondável da nossa fé: o mistério de um Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, isto é, o mistério da Trindade Santíssima!

De facto os textos bíblicos escolhidos para esta celebração não apontam tanto para o profundíssimo e incompreensível mistério do nosso Deus - uno e trino -, mas convidam-nos a mergulhar no mar infindo do seu amor, a faceta aliás escolhida pelo próprio Deus para se revelar a Moisés e ao Povo escolhido: “Eu sou um Deus clemente e compassivo, sem pressa para se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade”.

E S. João vai colocar nos lábios de Cristo esta assombrosa afirmação: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não morra, mas tenha a vida eterna”! E insiste: ” Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele”!

Se a terminologia filosófica do Prefácio é importante - sobretudo para nos dizer o que o nosso Deus não é - mais importante ainda é mergulharmos no coração deste Deus que transborda de amor misericordioso para com todas as suas criaturas, particularmente para com o ser humano, a ponto de aceitar “caminhar no meio de nós”, apesar das nossas infidelidades.

E só este amor - assombroso e inaudito - é capaz de nos transformar, para nos tornarmos semelhantes a Ele, e vivermos uns com os outros em ambiente de paz, de solidariedade e de alegria, como nos recomenda S. Paulo.

Por isso, o ser e agir cristãos têm de ter bem visível esta marca ‘trinitária’: à semelhança e pela força da comunhão trinitária do nosso Deus, também nós seremos capazes de conjugar o singular com o plural, na certeza de que com o plural das nossas diferenças seremos capazes de construir, na paz, a verdadeira unidade e de executar a sinfonia da unidade, construída com o pluralismo sadio e convergente da originalidade de cada ser humano, de cada raça e de cada povo.

Esta paz e harmonia são o grande desafio dos nossos dias, em que, por toda a parte e em graus diversificados de violência e intolerância, se vão repetindo e multiplicando ações e acontecimentos que as vão afastando cada vez mais do nosso horizonte existencial, com o risco de nos irmos afundando no pessimismo, na resignação e no salve-se quem e como puder! Por isso, mais urgente se torna que a nossa fé cristã venha ao de cima e seja autenticamente testemunhada por todos nós, através deste ‘jeito’ trinitário.

A comunhão trinitária é, assim, o único espelho em que nos devemos rever. É por este ‘jeito’ trinitário do nosso Deus que devemos pautar o nosso relacionamento uns com os outros. E é só nesta unidade, nesta harmonia e nesta paz que verdadeiramente poderemos proclamar: “Glória ao Pai que nos criou; glória ao Filho que nos remiu; glória ao Espírito que nos santifica” e unifica!

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