A marca cristã

5º Domingo da Páscoa. Seja qual for a nossa capacidade e as funções que desempenhemos, em todos deve ser facilmente percetível que cristão que não sirva para servir, não serve para nada – esta tem de ser mesmo a nossa ‘marca’!

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida." (Desenho de Patxi Fano)

5º Domingo da Páscoa

O alcance do texto que constitui a primeira leitura deste domingo vai muito para além da resolução do problema aí relatado. De facto, nem os Diáconos aparecem a servir às mesas - Estêvão e Filipe aparecem noutras funções - nem a ‘diaconia’ se confina aos Diáconos. É neste espelho que as comunidades cristãs de todos os tempos se podem e devem rever.

Em síntese, é-nos apresentada uma comunidade (já) com problemas, bem patentes nas divisões (helenistas e hebreus) e num certo mal-estar, provocado por atendimentos diferenciados das viúvas. Os Apóstolos, tendo tomado conhecimento da situação, convocam a comunidade para, de forma consensual, ser encontrada a melhor solução. Para isso, são recordadas as três dimensões estruturantes da comunidade: liturgia (oração), anúncio (palavra) e caridade (serviço das mesas). Aos Apóstolos incumbem as duas primeiras; para a dimensão da caridade, serão escolhidos elementos “de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria”, a quem os Apóstolos “imporão as mãos”.

Encontrada a solução, tudo passa a decorrer com normalidade: “a palavra de Deus vai-se divulgando cada vez mais, o número dos discípulos aumentava consideravelmente e obedecia à fé também grande número de sacerdotes” e, certamente, também foram corrigidas as desigualdades no serviço dos necessitados.

Que mensagem e que desafios podemos encontrar neste texto para os nossos dias? Antes de mais, a necessidade de serem reconhecidos os problemas e dificuldades existentes e de, em conjunto, se procurar a melhor solução possível. Depois, a redefinição das prioridades e a distribuição de responsabilidades e tarefas, procurando-se para cada função as pessoas mais indicadas. Finalmente, um trabalho coordenado e harmonizado, para que a comunidade cristã possa, correspondendo à sua missão, crescer, exigindo-se para isso de todos também um espírito de serviço e não de protagonismo ou de poder.

À luz deste texto, percebe-se facilmente que a maioria das nossas comunidades paroquiais ainda tem um longo caminho a percorrer, para que todos os seus membros se tornem “pedras vivas”, acabem com as ‘guerrinhas e competições’ e entrem “na construção deste templo espiritual”, pois todos procuram em Cristo, “o caminho, a verdade e a vida” que nos conduz à Casa do Pai, onde muitas moradas nos esperam.

E esta é uma afirmação consoladora e reconfortante, porque nos garante o direito à diferença, pois o Céu não é um imenso quartel, onde todos estão fardados da mesma maneira e a rigor. 

Mas, seja qual for a nossa capacidade e as funções que desempenhemos, em todos deve ser facilmente percetível que cristão que não sirva para servir, não serve para nada – esta tem de ser mesmo a nossa ‘marca’!

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