A luz da fé

Conscientes do fascínio que os bens deste mundo sobre nós exercem e conhecedores da forte inclinação do nosso coração para a eles se apegar, só com uma determinada e constante atitude de vigilância nos poderemos manter como “filhos da luz” (1Tes. 5) e trilhar os caminhos da Fé percorridos por Maria, que, neste mês de Agosto, é celebrada e venerada em tantas terras e sob as mais diversas invocações, como “Aquela que acreditou”.

19º Domingo do Tempo Comum

A Palavra do Senhor deste 19º Domingo do Tempo Comum aproveita a força simbólica da noite para nos transmitir a sua mensagem. É verdade que a noite, hoje, perdeu muito do seu impacto, devido não só à profusão de luzes que iluminam cidades, vilas e aldeias, mas também ao ritmo de vida que se mantém vivo, quer nas fábricas e hospitais (turno da noite), quer no movimento das estradas (sobretudo dos transportes de mercadorias). 

Apesar disso, a dicotomia luz / trevas, noite / dia ainda mantém uma força simbólica muito forte. De facto, a noite continua a ser o reino das trevas, o ambiente propício para a elaboração de planificações maquiavélicas e para a execução de assaltos, roubos e crimes. Daí que, ainda hoje, a noite continue a ser o símbolo do reino do mal.

Precisamente por isso, as grandes intervenções de Deus são colocadas no coração da noite: a passagem libertadora no Egipto, o nascimento de Jesus, a ressurreição de Cristo. E todas elas revelam a determinação de Deus em intervir em favor do Homem, para o libertar do reino das trevas, do reino do mal e transferi-lo para o reino da luz, da verdade e da justiça.

No texto da Carta aos Hebreus, a Fé é-nos apresentada como a luz que pode iluminar os caminhos da nossa vida, a força que pode fazer de nós “estrangeiros e peregrinos” para nos libertar do poder do mal e nos fazer esperar, com Abraão, Isaac e Jacob, “a certeza das realidades que não se vêem”. 

Em relação à ‘noite’ do sofrimento, o papa Francisco afirmou que “a fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho. Ao homem que sofre, Deus não dá um raciocínio que explique tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma duma presença que o acompanha, duma história de bem que se une a cada história de sofrimento para nela abrir uma brecha de luz. Em Cristo, o próprio Deus quis partilhar connosco esta estrada e oferecer-nos o seu olhar para nela vermos a luz. O sofrimento recorda-nos que o serviço da fé ao bem comum é sempre serviço de esperança que nos faz olhar em frente, sabendo que só a partir de Deus, do futuro que vem de Jesus ressuscitado, é que a nossa sociedade pode encontrar alicerces sólidos e duradouros” (A Luz da Fé, nº 57).

Neste Ano Santo da Misericórdia, a enumeração deste capítulo 11 da Carta aos Hebreus pode e deve ser continuada, qual contínua procissão, por quantos o rio da fé alimenta e guia em todos os tempos e cantos da terra, e é a nós hoje que, na esteira de Maria, dos Apóstolos e dos Mártires, cabe engrossar e dar-lhe continuidade: “Pela fé, no decurso dos séculos, homens e mulheres de todas as idades, cujos nomes estão escritos no Livro da vida, confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus nos lugares onde eram chamados a dar testemunho do seu ser cristão: na família, na profissão, na vida pública, no exercício dos carismas e ministérios a que foram chamados” (Bento XVI).

A vigilância torna-se, também para nós, a atitude típica do cristão para não se deixar enredar pelos caminhos da ‘noite’. Conscientes do fascínio que os bens deste mundo sobre nós exercem e conhecedores da forte inclinação do nosso coração para a eles se apegar, só com uma determinada e constante atitude de vigilância nos poderemos manter como “filhos da luz” (1Tes. 5) e trilhar os caminhos da Fé percorridos por Maria, que, neste mês de Agosto, é celebrada e venerada em tantas terras e sob as mais diversas invocações, como “Aquela que acreditou”.

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