A esperança tem rosto III

Edilene da Luz é de Cabo Verde e veio para Portugal para tratar da saúde. No CEPAC recebeu apoios na procura de trabalho, formação profissional, consulta médica e apoio jurídico.

Sou Cabo-verdiana. Nasci na ilha de Santo Antão, em Cabo-Verde. Tenho 28 anos e tenho o 9º ano de escolaridade. Só estudei até ao 7º ano na ilha de São Vicente, mas deixei de estudar por falta de meios. Perdi os meus pais quando era criança e fiquei entregue a uma tia que não conseguia pagar as propinas.  Tive que parar e trabalhar. Fui trabalhar para a ilha de Santo Antão, aos 16 anos e fiz depois o 8º e o 9º ano. Vim para Portugal por motivo de doença. Sentia dores numa perna e fui ao médico. Este percebeu que era muito grave. Era um tumor.  Foi decidido que eu tinha que ser evacuada para Portugal. Vim no quadro de uma junta médica no dia 08.08.2013. Quando cheguei, fui recebida no Hospital Universitário de Coimbra, onde estive internada durante 3 meses. Depois, o Hospital mandou-me ficar na Casa Obra de Santa Zita, onde fiquei durante 1 ano. Esta instituição acolhe doentes oriundos de vários países. O meu tratamento acabou já há um ano e meio. Até vir para Portugal trabalhei como empregada doméstica em casas particulares ou a tratar de crianças. Também trabalhei num carro ambulante de vendas. 

Conheci o CEPAC através de um amigo, o padre Elvino Borges (Missionário Espiritano) que me ajudou muito. Vim ao CEPAC pela primeira vez a 16 de abril de 2015. No CEPAC recebi apoios na procura de trabalho, fiz uma formação em técnicas de procura de emprego com a Dra. Irina Chaves. Vim também à consulta com a enfermeira e com a médica. Já fui atendida pelo advogado para o pedido da autorização de residência em Portugal. Agora já consegui um trabalho adequado à minha situação pois tenho ainda problema de mobilidade. Com o apoio da Dra. Irina Chaves do Gabinete de Apoio ao Emprego do CEPAC foi possível. 

Estou a trabalhar desde 08 de agosto de 2015 na Lapa, numa casa particular, a cuidar de uma senhora idosa. Sinto-me útil com este trabalho, pelo menos estou a dar o meu melhor. Tenho um contrato de trabalho e graças a isso estou no processo de regularização em Portugal, ou seja, vou fazer em breve o pedido da autorização de residência. 

O CEPAC é para mim uma casa de compaixão para com as pessoas, uma casa de oportunidades para os imigrantes. Quando chegamos a Portugal e não conhecemos ninguém, pelo menos podemos encontrar no CEPAC alguém que possa ouvir-nos e tratar de todos os nossos assuntos.

Não conheço bem as capacidades do CEPAC, mas se o CEPAC pudesse ajudar no acolhimento de doentes seria importante. Há doentes em situações lamentáveis. Se tivessem possibilidade de ter um lar para acolher doentes com dificuldades financeiras seria bom. O apoio em medicamentos também é importante porque às vezes os doentes não têm subsídios. O apoio psicológico, para mim, é o mais importante porque a estadia em Portugal não é fácil, é uma realidade totalmente diferente. 

As minhas últimas palavras vão para o fenómeno dos refugiados. É preciso criar meios para receber alguns, depois dar-lhes formação, ajudá-los a integrar-se na sociedade portuguesa e a aprenderem a língua portuguesa. 

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