A alegria de ser missionário

Com o P. Viana, recordei que a missão, para ser fecunda, não precisa de longos e bonitos discursos. Com o P. Silva, recordei que os homens não se medem aos palmos. Com o João Paulo, recordei que o convite a ser, assim, missionários felizes não é apenas coisa do passado, mas continua válido e atual.

O P. Manuel Viana, junto às quedas de Kalandula.

No verão passado, tive a alegria de participar num projeto de voluntariado missionário, na Missão de Kalandula, em Angola, juntamente com um grupo de Jovens Sem Fronteiras. Partimos para um país onde os espiritanos celebram 150 anos de missão. O nosso projeto teve, por isso, um sabor especial.

Estivemos lá apenas um mês. Claro que valeu a pena! Mas o que me fez sentir particularmente feliz foi sentir que a Missão passa muito além do nosso pequeno projeto. Quando percorria o caminho entre a Missão e a vila de Kalandula, havia sempre algumas crianças que acenavam ao longe e chamavam: “padre Rocha, padre Rocha!”, ou “padre Viana, padre Viana!”. Não estavam a chamar por mim, mas, mesmo assim, eu acenava de volta. O padre Rocha – que Deus já chamou para si – trabalhou quase 50 anos em Angola, a maior parte do tempo em Kalandula. O padre Viana é atual responsável da missão. Celebrou 50 anos de sacerdócio. Quase todo esse tempo, passou-o em Angola. Quando me chamavam pelo nome daqueles missionários, eu sentia-me pequenino, face ao seu caminho de vida e missão. Ao mesmo tempo, sentia-me muito feliz, pois percebia que o caminho que eu percorria, muito curto no tempo e espaço, era parte de um projeto muito maior.

Tivemos a alegria de viver com o P. Viana durante um mês. Escutámos – e sobretudo vimos – o seu testemunho. Não é um homem de longos discursos, que se dê particularmente bem com os microfones e as lentes das câmaras. É antes um homem de presença, em sintonia com o povo e os seus dramas. Diz que no passaporte é português, mas no coração é angolano. Nas guerras, decidiu permanecer com o povo. A missão tornou-se refúgio para muitos. Ali chegou a acolher e alimentar cerca de um milhar de crianças de uma vez só. Não admira que, ainda hoje, muitos o chamem de “pai”.

Na missão, vivemos também com o João Paulo, um jovem espiritano em formação que ali faz o seu estágio missionário. Para nós, foi verdadeiramente encorajador trabalhar com ele e sentir o seu dinamismo e criatividade missionários. 

Já no caminho de regresso, fomos acolhidos na missão do Golungo Alto pelo P. Joaquim da Silva Ferreira. Não nos deixemos enganar pela sua baixa estatura física e pela sua discrição: é um homem enorme na sua dedicação ao povo e no seu zelo apostólico. Os vários catecismos em português e kimbundu que preparou são fundamentais no trabalho de evangelização dos catequistas.

Com o P. Viana, recordei que a missão, para ser fecunda, não precisa de longos e bonitos discursos. Com o P. Silva, recordei que os homens não se medem aos palmos. Com o João Paulo, recordei que o convite a ser, assim, missionários felizes não é apenas coisa do passado, mas continua válido e atual.  

O P. Joaquim da Silva Ferreira e o João Paulo (ao centro), no Golungo Alto

Últimas

Parabéns PAR! Força!

Fico feliz com a atribuição, pelo Parlamento Europeu, do prémio "Cidadão Europeu 2017" à PAR. Mais...

III Missão Faz-te Bem

Jovens Sem Fronteiras de Godim realizaram festa de angariação de fundos para o Projeto Ponte, a...

Missão.Come’17

Em dia de Portugal, os JSF de Lordelo (Paredes) decidiram trazer um pouco de África à cidade, em...

JSF unidos com Maria

Os Jovens Sem Fronteiras da Foz do Sousa acolheram a região Douro para uma tarde de atividades,...