A alegria da Missão na diversidade

Davide Duarte, 32 anos, arquiteto, amadureceu espiritualmente com os missionários do Verbo Divino. Vive na Missão de Ócua, no norte de Moçambique, integrado na equipa missionária da Arquidiocese de Braga a trabalhar na Diocese de Pemba.

Davide Duarte (4º a partir da esquerda) no Lar de Rapazes, em Itoculo

Conhecer Missionários

Foi em meados de setembro, em Pemba, onde ainda me encontrava em preparação para missão que me era destinada em Ocua, que conheci os missionários, que trabalhavam no norte de Moçambique. Não sei se foi por ainda estar a procura das melhores relações de apoio por esta passagem por Moçambique, mas senti uma coincidência feliz, pela oportunidade de logo ali poder conhecer e estabelecer relação com família Verbita, com quem abri os meus horizontes de igreja católica, missionária. Senti acolhimento, fraternidade, partilha, identidade. Desde então ficou a relação que se ia avivando com promessas de visitas de ambas partes… a vontade em conhecer “in loco” as missões aumentava numa oportunidade de crescer junto… Também o facto de, já em Portugal, ter trabalhado pelo grupo ‘Diálogos’ na angariação de fundos para um projetos sediados aqui. O trabalho dos grupos missionários levam-nos a ler sobre os projetos, as terras, necessidades, trabalho… prendem-nos e preenche-nos o coração…

Verbitas no Monapo…

Aproveitando a presença da amiga Lúcia por terras do norte de Moçambique, fácil foi encontrarmos a nossa vontade similar em conhecer melhor estas missões. Assim, partimos domingo, com o nascer do sol, até à vila de Monapo, onde celebramos as festividades do domingo de Ramos, com bênção de ramos, procissão e eucaristia. Em Monapo, recordo o gesto de uma criança que, logo após a bênção dos ramos, vendo o ramo fraco que eu tinha aproveitado dos restos encontrados mesmo no chão, me veio oferecer o seu ramo. Apanhado de surpresa e todo derretido com tal gesto, apenas fui capaz de fixar seu rosto… Hoje gostava de ter perguntado seu nome, mas por mais que tivesse procurado, nunca mais avistei a criança até ao final das celebrações. Recordo também o acolhimento feito pelo grupo coral de jovens… já no final da celebração, estes cantavam, dançavam, tiravam fotos connosco e pediam para voltar. Já a caminho do Liúpo, tivemos a sorte de cruzar e reconhecer o Pe. Waldi e o Pe. Sebin que voltavam após celebrações em diferentes comunidades que lhes são confiadas. Encontros fortuitos, mas cheios de companheirismo que foram animando nossa viagem.

…e na Missão do Liúpo

No norte de Moçambique, estão atualmente duas missões Verbitas, na Diocese de Nacala. Entre a Missão de Monapo, situada num espaço mais citadino (vila), e a Missão do Liúpo, situada mais em zona de rural (mato), são pouco mais de 100 km por estradas em terra batida, ora em condições bem razoáveis, ora com troços devastados pelas fortes chuvas, onde o 4x4 faz a diferença. As duas comunidades são compostas por um total de 7 elementos SVD, sendo 6 padres e um irmão.

A chegada ao Liúpo faz-se após 3horas de caminho, já com o pôr do sol . Aqui existe um Centro de Promoção Humana construído pela comunidade SVD, onde as crianças subnutridas têm um cuidado especial. Basicamente, as crianças chegam aqui com indicação do hospital, comunidades circundantes e centros de saúde, onde são recebidas, juntamente com a sua mãe. Aproveitado o tempo das mamãs que ficam a acompanhar as crianças, são feitos ensinamentos de higiene, cozinha e machamba.

A missão do Liúpo tem um grande terreno de cultivo, onde já há muitos anos foram plantados cajueiros. Contudo, apenas agora a Missão começa a garantir alguma sustentabilidade. Dada à grande distância a um centro citadino para as compras de casa, a Missão funciona hoje um pouco como uma quinta, onde nas machambas há diversas culturas e no curral vários animais. À mesa pudemos saborear alguns dos produtos que a Missão colhe.

Espiritanos/as em Itoculo

Visitar a comunidade espiritana, famosa entre os pares consagrados como acolhedora e trabalhadora foi uma sorte. Começamos com o “milagre” que é por estas paragens café expresso e gargalhadas… terminamos com visita aos lares das meninas e meninos. Nestas comunidades de interior, estudar é um luxo, é uma dificuldade. Assim, esta obra permite a muitos jovens terem mais acesso aos estudos. A autonomia e organização são um encanto. Dá para sentir os missionários como “pais”. Os jovens tratam da sua roupa, cozinham, tratam da horta e cada um tem a sua árvore e fruto identificada com nome. É vida a acontecer, é transformar a impossibilidade em possibilidade. Esta missão é conhecida fora de portas como tendo sempre leigos missionários. Agora está a Helena Ferreira, de Fraião - Braga que, com um sorriso orgulhoso, nos mostrou a biblioteca e a sala de computadores onde desenvolve também o seu trabalho.

Encontros, visitas que nos fazem sentir mais católicos, onde a universalidade do cristianismo e o encanto dos carismas, se diluem e potenciam …no Amor de Cristo.

Davide Duarte, em Ócua –Pemba, Moçambique

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